Amigos , tenho um Grande Ecologista que quase morreu lutando por ela,
segue uma grande mensagem, é agora que ele lutara mais ainda. Jorge Ram.
Amigo das Aguas.Luta ha mais de 40 anos....antes mesmo de sua
publicacao..
Jose Pedro.
Curitiba.pr.
30.04.2009.
22/04/2009 - 01h04 22 de abril - Dia Mundial da Terra
Por Redação da Envolverde
Dia 22 de abril é o Dia Mundial Mundial da Terra, data para pedir uma
melhor interação entre os seres humanos com o planeta. Para comemorar
este dia, a Envolverde publica aqui a Carta da Terra, uma declaração de
princípios éticos fundamentais para a construção de uma sociedade global
justa, sustentável e pacífica. Estruturada em quatro grandes tópicos
(Respeito e cuidado pela comunidade da vida; Integridade Ecológica;
Justiça Social e Econômica; Democracia, não-violência e paz), a Carta
busca inspirar as pessoas e diferentes setores da sociedade para um novo
sentido de interdependência global e responsabilidade compartilhada
voltado para o bem-estar de toda a família humana, da grande comunidade
da vida e das futuras gerações.
É uma visão de esperança, mas também um
chamado à ação. Sua primeira versão foi elaborada em evento paralelo à
Cúpula da Terra no Rio de Janeiro (Eco-92). Após oito anos, em um
processo participativo envolvendo todos os continentes e contando com a
contribuição de milhares de pessoas de todas as raças, credos, idades e
profissões, incluindo especialistas em ciências, filosofia, ética,
religiões e leis internacionais, a versão final foi lançada no Palácio
da Paz em Haia em 29 de junho de 2000. Em 2003 a UNESCO reconheceu a
Carta da Terra como um instrumento chave para a educação e cultura, e a
considerou como um importante marco ético para a humanidade.
Boa leitura!
Equipe da Envolverde
CARTA DA TERRA PREÂMBULO
Estamos
diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a
humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se
cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo
tempo, grande perigo e grande esperança. Para seguir adiante, devemos
reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e
formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com
um destino comum. Devemos nos juntar para gerar uma sociedade
sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos
humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para
chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra,
declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande
comunidade de vida e com as futuras gerações.
TERRA, NOSSO LAR
A
humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso
lar, é viva como uma comunidade de vida incomparável. As forças da
natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a
Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A
capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da
humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos
seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos
férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus
recursos finitos é uma preocupação comum de todos os povos. A proteção
da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado. A SITUAÇÃO GLOBAL
Os
padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação
ambiental, esgotamento dos recursos e uma massiva extinção de espécies.
Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não
estão sendo divididos eqüitativamente e a diferença entre ricos e
pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os
conflitos violentos têm aumentado e são causas de grande sofrimento. O
crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os
sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão
ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.
DESAFIOS FUTUROS
A
escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns
dos outros ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida.
São necessárias mudanças fundamentais em nossos valores, instituições e
modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas
forem supridas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a
ser mais e não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia
necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos no meio
ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas
oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos
desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão
interligados e juntos podemos forjar soluções inclusivas.
RESPONSABILIDADE UNIVERSAL
Para
realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de
responsabilidade universal, identificando-nos com a comunidade terrestre
como um todo, bem como com nossas comunidades locais. Somos, ao mesmo
tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões
local e global estão ligadas. Cada um compartilha responsabilidade pelo
presente e pelo futuro bem-estar da família humana e de todo o mundo dos
seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com
toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da
existência, com gratidão pelo dom da vida e com humildade em relação ao
lugar que o ser humano ocupa na natureza.
Necessitamos com
urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar
um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na
esperança, afirmamos os seguintes princípios, interdependentes, visando
a um modo de vida sustentável como padrão comum, através dos quais a
conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos e
instituições transnacionais será dirigida e avaliada.
PRINCÍPIOS
I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DE VIDA
1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.
1. Reconhecer que todos os seres são interdependentes e cada forma de
vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres
humanos.
2. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres
humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da
humanidade.
2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.
1. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os
recursos naturais, vem o dever de prevenir os danos ao meio ambiente e
de proteger os direitos das pessoas.
2. Assumir que, com o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder, vem a
maior responsabilidade de promover o bem comum.
3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
1. Assegurar que as comunidades em todos os níveis garantam os direitos
humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada pessoa a
oportunidade de realizar seu pleno potencial.
2. Promover a
justiça econômica e social, propiciando a todos a obtenção de uma
condição de vida significativa e segura, que seja ecologicamente
responsável.
4. Assegurar a generosidade e a beleza da Terra para as atuais e às futuras gerações.
1. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
2. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que
apóiem a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra a
longo prazo.
II.INTEGRIDADE ECOLÓGICA
5.
Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra,
com especial atenção à diversidade biológica e aos processos naturais
que sustentam a vida.
1. Adotar, em todos os níveis, planos e
regulamentações de desenvolvimento sustentável que façam com que a
conservação e a reabilitação ambiental sejam parte integral de todas as
iniciativas de desenvolvimento.
2. stabelecer e proteger reservas
naturais e da biosfera viáveis, incluindo terras selvagens e áreas
marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a
biodiversidade e preservar nossa herança natural.
3. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçados.
4. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que
causem dano às espécies nativas e ao meio ambiente e impedir a introdução desses
organismos prejudiciais.
5. Administrar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos
florestais e vida marinha de forma que não excedam às taxas de
regeneração e que protejam a saúde dos ecossistemas.
6.
Administrar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais
e combustíveis fósseis de forma que minimizem o esgotamento e não
causem dano ambiental grave.
6. Prevenir o dano ao ambiente como o
melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for
limitado, assumir uma postura de precaução.
1. Agir para
evitar a possibilidade de danos ambientais sérios ou irreversíveis,
mesmo quando o conhecimento científico for incompleto ou não-conclusivo.
2. Impor o ônus da prova naqueles que afirmarem que a atividade
proposta não causará dano significativo e fazer com que as partes
interessadas sejam responsabilizadas pelo dano ambiental.
3.
Assegurar que as tomadas de decisão considerem as conseqüências
cumulativas, a longo prazo, indiretas, de longo alcance e globais das
atividades humanas.
4. Impedir a poluição de qualquer parte do
meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas,
tóxicas ou outras substâncias perigosas.
5. Evitar atividades militares que causem dano ao meio ambiente.
7.
Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as
capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar
comunitário.
1. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais
usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos
possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
2. Atuar com
moderação e eficiência no uso de energia e contar cada vez mais com
fontes energéticas renováveis, como a energia solar e do vento.
3. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias
ambientais seguras.
4. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços
no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos
que satisfaçam às mais altas normas sociais e ambientais.
5. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
6. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.
8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover o intercâmbio aberto e aplicação ampla do conhecimento adquirido.
1. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à
sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em
desenvolvimento.
2. Reconhecer e preservar os conhecimentos
tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que
contribuem para a proteção ambiental e o bem-estar humano.
3.
Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para
a proteção ambiental, incluindo informação genética, permaneçam
disponíveis ao domínio público.
III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA
9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.
1. Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança
alimentar, aos solos não contaminados, ao abrigo e saneamento seguro,
alocando os recursos nacionais e internacionais demandados.
2.
Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma
condição de vida sustentável e proporcionar seguro social e segurança
coletiva aos que não são capazes de se manter por conta própria.
3. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que
sofrem e habilitá-los a desenvolverem suas capacidades e alcançarem suas
aspirações.
10. Garantir que as atividades e instituições
econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma
eqüitativa e sustentável.
1. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e entre as nações.
2. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e
sociais das nações em desenvolvimento e liberá-las de dívidas
internacionais onerosas.
3. Assegurar que todas as transações
comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e
normas trabalhistas progressistas.
4. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais
atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas conseqüências de suas atividades.
11.
Afirmar a igualdade e a eqüidade dos gêneros como pré-requisitos para o
desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação,
assistência de saúde e às oportunidades econômicas.
1. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
2. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da
vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas
e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
3. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e o carinho de todos os membros da família.
12.
Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um
ambiente natural e social capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde
corporal e o bem-estar espiritual, com especial atenção aos direitos
dos povos indígenas e minorias.
1. Eliminar a discriminação em
todas as suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação
sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
2.
Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade,
conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas
relacionadas com condições de vida sustentáveis.
3. Honrar e
apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu
papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
4. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual. IV. DEMOCRACIA, NÃO-VIOLÊNCIA E PAZ
13.
Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e prover
transparência e responsabilização no exercício do governo, participação
inclusiva na tomada de decisões e acesso à justiça.
1.
Defender o direito de todas as pessoas receberem informação clara e
oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e
atividades que possam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
2.
Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a
participação significativa de todos os indivíduos e organizações
interessados na tomada de decisões.
3. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de reunião pacífica, de associação e de oposição.
4. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos judiciais
administrativos e independentes, incluindo retificação e compensação por
danos ambientais e pela ameaça de tais danos.
5. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
6. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus
próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis
governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.
14.
Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os
conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida
sustentável.
1. Prover a todos, especialmente a crianças e
jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente
para o desenvolvimento sustentável.
2. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.
3. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no aumento da
conscientização sobre os desafios ecológicos e sociais.
4. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma condição de vida sustentável.
15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.
1. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimento.
2. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
3. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.
16. Promover uma cultura de tolerância, não-violência e paz.
1. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a
cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
2. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e
usar a colaboração na resolução de problemas para administrar e resolver
conflitos ambientais e outras disputas.
3. Desmilitarizar os
sistemas de segurança nacional até o nível de uma postura defensiva
não-provocativa e converter os recursos militares para propósitos
pacíficos, incluindo restauração ecológica.
4. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em
massa.
5. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico ajude a proteção ambiental e a paz.
6. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas
consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a
Terra e com a totalidade maior da qual somos parte. O CAMINHO ADIANTE
Como
nunca antes na História, o destino comum nos conclama a buscar um novo
começo. Tal renovação é a promessa destes princípios da Carta da Terra.
Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e
promover os valores e objetivos da Carta.
Isto requer uma mudança
na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência
global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar
com imaginação a visão de um modo de vida sustentável nos níveis local,
nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança
preciosa e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas
formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar e expandir o diálogo
global que gerou a Carta da Terra, porque temos muito que aprender a
partir da busca conjunta em andamento por verdade e sabedoria.
A
vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode
significar escolhas difíceis. Entretanto, necessitamos encontrar
caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da
liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo
prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade tem um papel
vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as
instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as
organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a
oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade
civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.
Para
construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem
renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas
obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a
implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento
internacionalmente legalizado e contratual sobre o ambiente e o
desenvolvimento.
Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar
de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a
sustentabilidade, a intensificação dos esforços pela justiça e pela paz
e a alegre celebração da vida.
A importância da romã é milenar, ela aparece nos textos bíblicos e os gregos a consideravam como símbolo do amor
e da fecundidade. Para os judeus, a romã é um símbolo religioso com
profundo significado no ritual do ano novo, pois acredita-se que o ano
que chega sempre será melhor do que aquele que vai embora.
É uma arvoreta que atinge de 2 a 5 m, de tronco
acinzentado e ramos avermelhadas quando novos. A romãzeira se adapta
desde os climas tropicais e subtropicais aos temperados e
mediterrânicos. As flores da romazeira são vermelho-alaranjadas e
simples, ocorrendo variedades de flores dobradas como a “Legrellei”. Os
frutos são esféricos, com casca coriácea e grossa, amarela ou
avermelhada manchada de escuro. O seu interior é composto de muitas
sementes, cobertas por um tegumento espesso, polposo de cor rósea ou avermelhado, de sabor ácido e doce. É esta polpa que envolve as sementes a parte comestível do fruto.
Sua popularidade no paisagismo
tem aumentado muito nos últimos tempos. A utilização da romazeira é
usual em jardins de estilo mediterrâneo e é crescente seu cultivo em
vasos, adaptando-se aos jardins em varandas e pequenos espaços. A
variedade “Nana” (Mini-romazeira) é a mais apropriada para esta
utilização.
Pode ser cultivada em grande variedade de solos,
preferindo os profundos, sempre sob sol pleno. Rústica, tolera
moderadamente a salinidade, as secas e o encharcamento. Resiste às temperaturas baixas de inverno e é sensível às geadas tardias de primavera. Multiplica-se por sementes.
Quem
no Nordeste, ou mesmo no Brasil, já não ouviu falar da Romã?! Diz uma
velha simpatia que, quem no dia seis de janeiro, dia dos Santos Reis,
chupar seis caroços de romã e guardar na carteira as sementes, embrulhadas
num papel, terá muita sorte com dinheiro nos 365 dias seguintes.
Se
quiser a continuação da prosperidade, é só repetir a simpatia no ano
seguinte. Conta a lenda que Prosérpina, filha da deusa da agricultura
Ceres, quando colhia flores em um monte da Sicília, foi raptada por
Plutão, deus dos infernos, que precisava urgentemente de uma esposa.
Ceres, desesperada, pediu ajuda aos outros deuses do Olimpo, que não
lhe deram atenção. Como vingança, ela passou a acabar com a agricultura,
e portanto com a produção de alimentos. Os homens passaram a morrer
de fome. Júpiter percebeu que sem homens não haveria deuses, já que
estes só existiam graças à adoração dos humanos. Júpiter pediu a Plutão
o retorno de Prosérpina, mas isto só seria possível se elsa não tivesse
comido nada no reino dos mortos. Mas, ao entrar lá, ela notara um pé
de romã, com as sementes brilhando como rubis no fruto entreaberto:
ela não resistiu ã tentação e comeu seis grãos. Foi feito então, um
acordo entre Ceres e Plutão: Prosperina passaria seis meses com Plutão
e seis meses com a mãe Ceres.
O resultado disto foi o aparecimento do
inverno na terra (quando Prosérpina fica no reino dos mortos) e do verão,
que mostra a alegria de Ceres pela presença da filha.
A
romã, denominada cientificamente de Punica granatum, tem sua procedência
um tanto incerta: algumas fontes indicam que veio do Oriente, mais especificamente
do Irã ou do Afeganistão, outras apontam como local de origem a região
do Norte da África ou ainda o Sul da Europa, na região mediterrânea.
Alguns autores afirmam que a romã é originária da Pérsia e que foi domesticada
2.000 anos antes de cristo e difundida para o resto do mundo através
do Irã. Foi introduzida no Brasil pelos portugueses já na época do povoamento
Pertencente à família das Punicáceas, se adapta bem em regiões de clima
tropical e subtropical sendo cultivada em todas as regiões quentes do
planeta tendo uma certa resistência às geadas, o que facilitou a sua
difusão.
É
uma árvore de porte pequeno, tendo normalmente cerca de dois metros
de altura podendo chegar a mais de quatro metros, tendo a característica
de se ramificar bastante. Para um bom desenvolvimento, a romã deve ser
plantada em solo leve e profundo, com boa disponibilidade de água. Dos
ramos acinzentados nascem folhas alternadas e alguns espinhos. As folhas
das plantas adultas são de um verde brilhante e em algumas variedades,
avermelhadas quando novas. No inverno, principalmente nas regiões mais
frias, é comum a queda das folhas. Quando florida, a romãzeira demonstra
por que é tão apreciada com planta ornamental. Suas flores, geralmente
solitárias ou agrupadas em duas ou três, são muito bonitas e têm um
colorido chamativo, de um vermelho intenso. Elas aparecem nas extremidades
dos galhos e mais raramente nas axilas das folhas.
O
fruto possui um formato esférico, com um pouco mais de 10 cm de diâmetro.
Sua casca é lisa e inicialmente amarelo esverdeada mas, a medida que
vai amadurecendo vai adquirindo uma coloração vermelha. Do lado oposto
ao pedúnculo, a romã possui um cálice duro e persistente, em tudo semelhante
a uma coroa, marca registrada da fruta. Embora não tenha relação com
o sabor ou a saúde da fruta, a presença da coroa é fundamental para
os consumidores de muitos países, sobretudo os europeus, que só aceitam
romãs com a coroa completa, sem nenhuma ponta quebrada, talvez para
determinar se a fruta foi bem cuidada por ocasião do transporte. Dentro
da fruta há um sem-número de sementes, intercaladas por membranas esbranquiçadas
separando os gomos. As sementes são envolvidas por uma película transparente,
que contem um líquido vermelho.
A
romãzeira pode ser propagada através de estacas, sementes, por mergulhia
ou alporquia. Apesar de ter seus inconvenientes, o plantio por sementes
é o mais utilizado na cultura, mesmo sem ter sementes selecionadas no
mercado. As sementes possuem um baixo poder de germinação, sendo necessário
o uso de artifícios para a quebra da dormência. As sementes devem ser
deixadas na geladeira pelo período mínimo de dez dias, a uma temperatura
de 20 graus. O tratamento com hormônios ou com métodos mecânicos não
foram eficientes na quebra de dormência da romã. Depois da vernalização,
como é chamado o processo citado acima, as sementes são plantadas num
canteiro contendo areia grossa e adubado com esterco de gado e húmus
e, logo a seguir, devem ser irrigadas.
Quando
as plantinhas atingirem cerca de 10 cm de altura, devem ser repicadas
para sacos de polietileno preto, contendo um substrato leve, composto
de uma mistura de solo e esterco de curral na proporção de 3:1, e devem
ser colocadas em local sombreado até que atinjam de 30 a 40 cm de altura,
quando deverão ser transplantadas para o local definitivo. As mudas
deverão ser colocadas em covas de 40 X 40 X 40cm, devidamente adubadas
e tendo-se o cuidado de deixar o pH do solo em torno de 6,5 com a incorporação
de calcário dolomítico ao mesmo 3 meses antes do plantio.
Apesar
de ainda não se ter estudos que definam o espaçamento a ser utilizado
na cultura, é comum usar-se 6 metros entre plantas e de 7 a 8 metros
entre fileiras, tendo-se desta forma de 208 a 238 plantas por ha. Conforme
a romãzeira vai crescendo, a grande quantidade de ramos pode se tornar
muito pesada, causando o tombamento da planta. Para evitar que isto
ocorra, é necessário que se efetue um tutoramento, fincando-se uma estaca
ao lado do tronco e amarrando-se uma à outra. Uma outra medida preventiva
contra o tombamento, alem do tutoramento, é fazer-se mergulhia em alguns
ramos inferiores da planta, enquanto ainda é jovem. Com essa auto-sustentação,
a árvore terá maior fixação no terreno. Depois de algum tempo, esses
ramos criarão raízes e se desprenderão do tronco principal, formando
novas plantas. Nesse ponto os riscos de tombamento serão menores, pois
a planta-mãe e as filhas se sustentarão mutuamente. A romãzeira requer
irrigação nos dias mais quentes ou nas estiagens, tomando-se o cuidado
de não encharcar o solo para evitar o aparecimento de fungos e conseqüente
podridão das raízes. A planta deve ser adubada duas vezes ao ano com
cerca de 20 kg de esterco de gado e adubos químicos de acordo com a
análise do solo.
A
planta começa a produzir a partir do terceiro ou quarto ano de vida,
mas só atinge a produção plena a partir do quinto ano. Nesta fase cada
planta pode fornecer cerca de 300 frutos/ano. A produção varia de um
ano para o outro, sendo alternada em anos produtivos e anos de baixa
produção. A colheita é efetuada com os frutos ainda verdes ou "de vez"
para poderem chegar ao destino em perfeito estado de conservação.
Alem
de ser consumida in natura, a romã também é utilizada no preparo de
bebidas, como sucos e licores. Sua casca é muito rica em tanino, não
sendo utilizada na alimentação humana, mas muito usada no curtimento
de couros. A fruta possui excelentes propriedades medicinais: tanto
o sumo quanto a casca têm ação anti-helmíntica e antiinflamatória.
Na Europa é amplamente utilizada na industria farmacêutica e entra inclusive
na composição de alguns remédios que combatem a tênia (verme intestinal
vulgarmente chamada de solitária). Na medicina caseira, a romã goza
de uma reputação ainda maior. A casca das raízes também tem fama de
combater vermes. O chá das cascas do fruto é tido como antidiarréico;
já água em que se cozinham as folhas é usada para lavagens dos olhos
nas conjuntivites; e; por fim, a infusão das flores é empregada em gargarejos,
para aliviar as inflamações na boca e na garganta.
Não
se pode esquecer que, além disso tudo, a romãzeira é uma planta ornamental.
Vistosa e de belas flores, ela é bastante requisitada para arborizar
jardins e parques. A romãzeira-anã, uma variedade de pequeno porte que
raramente ultrapassa meio metro de altura, presta-se muito bem para
ser cultivada em jarros e vasos. É utilizada somente como planta ornamental
por produzir frutos bastante pequenos e quase sempre de sabor acentuadamente
ácido, não se prestando para o consumo.
O SIMBOLISMO DA ROMÃ
A romanzeira ou pé de romã, em hebraico Rimmôn, é uma
pequena árvore, ou até um arbusto pertencente à família "Punica
Granatum" – nome latino – e no vernáculo mais purista, diz-se
Romãzeira. No sul da Espanha existe uma linda cidade, que foi a capital
dos reinos de Castela e Aragão, conquistada aos árabes em 1492 pelos
reis católicos, chamada romã = Granada.
Cresce silvestre no
Oriente Médio e principalmente na Palestina, onde existem três cidades
com o nome desse fruto, Rimon, Gate Rimon e En-Rimon. Da Palestina,
através da Diáspora, foi levada a todo o mundo, inclusive, depois dos
descobrimentos, ao Novo Mundo e posteriormente à Austrália e Nova
Zelândia.
Considerando-se a origem da Romã como sendo hebraica,
nada melhor, para uma compreensão inicial, que recorrermos às Sagradas
Escrituras. O Velho Testamento refere a Romã, ONZE vezes, enquanto o
Novo Testamento, a omite totalmente. Por ordem cronológica,
transcrevemos as passagens alusivas a esse fruto:
1)
"Farás, também a sobrepeliz da estola sacerdotal toda de estofo azul.
No meio dela haverá uma abertura para a cabeça; será debruada essa
abertura, como a abertura de uma saia de malha, para que não se rompa.
Em toda a orla da sobrepeliz farás romãs de estofo azul, púrpura e
carmesim; e campainhas de ouro no meio delas. Haverá em toda a orla da
sobrepeliz uma campainha de ouro e uma romã, outra campainha de ouro e
outra romã. Esta sobrepeliz estará sobre Aarão quando praticar o seu
ministério, para que se ouça o seu sonido, quando entrar no santuário
diante do Senhor, e quando sair, e isso para que não morra." (Êxodo
28-31.35.)
2) "Depois vieram até o vale de Escol, por causa
do cacho de uvas, o qual o trouxeram dois homens numa vara, como
também romãs e figos." (Números 13:23)
3) "E porque nos
fizeste subir do Egito, para nos trazer a este mau lugar, que não é de
cereais, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem de água para
beber?" (Números 20:5)
4)"Fez também romãs em duas fileiras
por cima de uma das obras de rede para cobrir o capitel no alto da
coluna; o mesmo fez com o outro capitel. Os capitéis que estavam no
alto das colunas eram de obra de lírios, como na Sala do Trono, e de
quatro côvados. Perto do bojo, próximo à obra de rede, os capitéis que
estavam no alto das duas colunas tinham duzentas romãs, dispostas em
fileiras em redor, sobre um e outro capitel." (II Reis 7:18-20)
5) "Há quatrocentas romãs para as duas redes, isto é, duas fileiras de
romãs para cada rede, para cobrirem os dois globos dos capitéis que
estavam no alto da coluna." (II Crônicas 4:13)
6) "Os teus
lábios são como um fio de escarlate, e tua boca é formosa; as tuas
faces, como romã partida, brilham através de véu." (Cantares 4:3)
7) "Os teus renovos são um pomar de romãs, com frutos excelentes." (Cantares 4:13)
8) "Desci ao jardim das nogueiras, para mirar as renovos do vale, para
ver se brotavam as vides e se floresciam as romãzeiras. " (Cantares 6:11)]
9) "Levar-te-ia e te introduziria na casa de minha mãe, e tu me
ensinarias; eu te daria a beber vinho aromático e mosto das minhas
romãs." (Cantares 8:2)
10) "Sobre ele havia um capitel de
bronze; a altura de cada um era de cinco côvados; a obra de rede e as
romãs sobre o capitel ao redor eram de bronze. Semelhante a esta era a
outra coluna com as romãs. Havia noventa e seis romãs aos lados; as
romãs todas, sobre a obra de rede ao redor, eram cem." (Jeremias
52:22-23)
11) "Saul se encontrava na extremidade de Gibeá,
debaixo da romãzeira em Migron; e o povo que estava com ele era de
cerca de seiscentos homens." (I Samuel 14:2)
NO QUE DIZ RESPEITO ÀS CIDADES:
1) "Lebaote, Silim e Rimom; ao todo, vinte e nove cidades com suas aldeias." (Josué 15:32)
2) "Então viraram e fugiram para o deserto, à penha Rimom." (Juizes 20:45)
3) "A sétima sorte saiu à tribo dos filhos de Dã; Jeúde, Bene-Beráque, Gate-Rimom." (Josué 19:45)
4) "Em En-Rimon, em Zorá, em Jarmute." (Nemias 11:29)
Desconhece-se
a origem das cidades acima referidas, mas tudo leva a crer, que os
seus nomes derivaram do grande número de Romãzeiras existentes. Alguns
autores dão a Romãzeira como originária do Egito onde era conhecida
pelo nome de "Anhmen"; fazem, outrossim, certa ligação entre a "Romã" e
o nome de "Amon Ra". Prosseguem dizendo não caber dúvida que foi no
Egito que o fruto constituía um símbolo sagrado, pois os Sacerdotes
egípcios, usavam a romã nos atos litúrgicos iniciáticos. Para os
romanos, a sua origem está no norte da África. O seu nome latino –
Punica Granatum – sugere a sua origem na cidade de Cartago. Na
realidade, esta cidade foi fundada pelos fenícios da cidade de Tiro,
que foi fundada pelos sidônios, da cidade de Sidon. Estas cidades
situam-se ao norte da Palestina, no atual Líbano.
Platão teria
afirmado que dez mil anos antes de Menés já existia a cerimônia que
incluía a Romã como fruto, com a sua rubra flor. Somente os sacerdotes
de Amon Ra tinham o privilégio de cultivar a Romãzeira. As Romãs,
consideradas como oferendas sagradas, eram colocadas sobre os túmulos
dos Faraós.
Encontram-se referências a respeito junto ao
sacerdote Egípcio de Heliópolis, de nome Manthonm, em sua história dos
reis, escrita em grego, 300 anos antes de Cristo. Sobre os Altares dos
deuses Horus, Set, Isis e Osiris, este o deus supremo e juiz do além
vida, protetor da morte, eram colocadas as mais exuberantes Romãs, como
símbolo dos iniciados nos supremos mistérios. Essas oferendas
aumentavam de número consoante a categoria do iniciado ou a importância
do cargo, como os grandes hierofantes de Amon Ra e de Osiris, que além
dessas ofertas serem colocadas em seus túmulos, eram também plantadas
nos parques funerários, um número determinado e simbólico de
Romãzeiras.
O número variava entre três, cinco e sete, de
conformidade com a hierarquia. O rei Thotmesis – Tutmós - da XVIII
dinastia, morto no ano 59 a .C. teve plantadas em seu parque funerário,
cinco Romãs. Um hábito curioso diz respeito às pessoas que tinham
débitos com o falecido. Estas dívidas eram pagas com Romãs, depositadas
sobre o seu túmulo. Esse fruto simbolizava a vida e a união geográfica
do Egito, compreendido assim o Alto Egito, o Meio Egito e o Baixo
Egito, que representavam os três "ninhos interiores" ou a câmara baixa;
os cinco "ninhos superiores" ou câmara alta, dos deuses Osiris, o juiz
supremo da outra vida, Set, deus das trevas, que matou a Osiris e
Horus, que vingou a Osíris, casado com Isis, além da deusa Nefritis ou
Isis irmã de Osiris.
No antigo Egito o mês tinha três semanas
de dez dias cada uma, e o ano doze meses ou seja, 360 dias aos quais,
para corrigir a anomalia astronômica, foram acrescentados cinco dias
que eram os correspondentes aos aniversários dos deuses Osiris, Horus,
Set, Isis e Nefritis. Esses cinco dias acrescidos eram considerados de
maus augúrios, e para aplacar o azar, eram oferecidas Romãs colocadas
nos altares. Paralelamente, semeavam no parque funerário, três Romãs,
simbolizando as três o Egito e mais cinco em honra aos cinco deuses
patronos dos cinco últimos dias, e mais sete, em homenagem às sete
trajetórias que as almas deviam percorrer para purificar-se. Essa
origem da Romã no Egito conflita com as sagradas escrituras.
Na oportunidade em que Jacó saiu de Israel em direção ao Egito, para
fugir da fome que assolava a sua região, levou consigo mudas de
videira, de romãzeira, figueiras e demais árvores frutíferas,
plantando-as e cultivando-as. Na volta para Canaã, quando os hebreus
chefiados por Moisés foram inspecionar a terra prometida, trouxeram de
lá, frutos excepcionais, descritos como gigantescos, eis que para
carregar um cacho de uvas, foram precisos dois homens, pendurado o
cacho numa vara; junto, trouxeram figos e romãs; podemos imaginar, se
comparados com o enorme cacho de uvas, o tamanho dos figos e das romãs!
Sem dúvida a origem da Romãzeira, é da Palestina.
Para os
Assírios, a romã simbolizava a vida e os primeiros frutos da colheita
eram entregues ao sacerdote que extraía o seu suco para que o Rei o
oferecesse ao ídolo. Os frutos mais formosos que simbolizavam o
prolongamento da vida eram preservados para o templo; a Romãzeira era
considerada como o pai da vida; com a madeira da árvore, eram
confeccionados amuletos. Os fenícios, tinham a Romã, também, como
frutos sagrados, bem como os Cartagineses e os Romanos, que os
reproduziam nos capitéis de suas colunas e os colocavam nas tumbas dos
sacerdotes e dos reis. Para os gregos a Romã era sagrada e eles a
denominavam de Roidion, e a Romãzeira de Roía; os frutos eram
oferecidos à deusa da sabedoria, protetora da cidade de Atenas. Para os
iniciados nos mistérios de Eleusis, Dodone, Delfos, Megara e outros, a
Romã simbolizava a fecundidade e a vida.
Se a Romã era usada
como símbolo de vida, a concepção hebraica a reforça, considerando a
propagação da espécie como o elemento mais relevante da vida. A Romã é
de difícil uso como alimento, porque a separação dos grãos, firmemente
inseridos em sua polpa, exige certa habilidade; mas, o seu suco, obtido
com o esmagamento das suas sementes, que na realidade se constituem
cada uma em um fruto separado, é de fácil obtenção. Obtido o suco, de
certa forma abundante, fermentado esse, produz-se um vinho de sabor
suave e delicado que, talvez para o paladar do ocidental, possa parecer
estranho.
Quando de nossa estada em Israel, justamente, em
Canaã, adquiri no comércio, uma garrafa de vinho de romã; gelado, nos
pareceu de agradável paladar. Retornados ao Brasil, procuramos obter
certa quantidade de romãs retirando-lhes os grãos que esmagamos, coamos
o suco, acrescentamos um pouco de açúcar e deixamos fermentar. O vinho
obtido tinha o mesmo paladar daquele que adquirimos em Israel.
Efetivamente, depois de degustá-lo em pequenas doses, decorrido algum
tempo, notamos o seu efeito energético; preferimos denominá-lo assim, de
afrodisíaco. O relato contém além das insinuações, simbolismos
profundos relacionados com os costumes hebreus. A análise meticulosa
desvenda preciosas lições.
Por quê Salomão valorizava tanto a
romã e o seu vinho? Além do atributo afrodisíaco que os comerciantes
dão ao vinho da Romãzeira, o relato de Cantares é claro. O rei Salomão
reinou sobre Israel durante quarenta anos, portanto, não se o pode
julgar uma pessoa já idosa, mas no vigor da idade. O relato inserido em
I Reis 11 nos dá:
"Ora além da filha do faraó, amou
Salomão, muitas mulheres estrangeiras; moabitas, amonitas, edomitas,
sidônias e hetéias, mulheres das nações de que havia o Senhor dito aos
filhos de Israel: não caseis com elas, nem casem elas convosco, pois
vos perverteriam o coração, para seguirdes os seus deuses. A estas se
apegou Salomão pelo amor. Tinha setecentas mulheres, princesas, e
trezentas concubinas. Sendo já velho, suas mulheres lhe perverteram o
coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era de todo para
com o Senhor seu Deus, como fora o de Davi, seu pai."
Apesar do texto bíblico denominá-lo de "velho", um homem para contentar a
mil mulheres, mesmo com higidez excepcional, deveria valer-se de algum
produto afrodisíaco, que não era outro senão o vinho da romã. Isto
justifica o seu uso, a ponto de fazer da Romã um símbolo sexual
conjugado com os lírios, símbolo da excelência feminina. Colocadas as
Romãs e os Lírios, nos capitéis das Colunas do Templo, quis Salomão
render destaque à sua condição de rei poderoso em todos os sentidos.
Poder-se-ia, contudo, questionar sobre esse evento: mas quando Salomão
tinha mil mulheres o Templo já estava construído como as duas
respectivas colunas. No entanto, já naquele momento, Salomão possuía
mulheres em grande número e é de se supor que a ingestão do vinho
afrodisíaco já era um hábito e uma necessidade. Não se conhece a idade
exata de Salomão.
No livro I Crônicas, 29:1 lemos: "Disse mais o
rei Davi a toda a congregação; Salomão meu filho, o único a quem Deus
escolheu, é ainda moço e inexperiente, e esta obra é grande; porque o
palácio não é para homens, mas para o Senhor Deus." E no livro I Reis,
3:7 lemos: "Agora, pois, ó Senhor meu Deus, tu fizestes reinar a teu
servo em lugar de Davi meu pai; não passo de uma criança, não sei como
conduzir-me".
Quando Davi ordenou o censo, excluiu os que
tinham a idade de menos de 20 anos. Poderíamos, calcular, a grosso
modo, que Salomão sentira-se criança, talvez por não ter atingido a
idade de vinte anos. Portanto, se Salomão reinara durante quarenta
anos, e assumira o reinado aos vinte anos, ao morrer, teria sessenta
anos, idade que não podemos aceitar como de pessoa já velha. Porém, se
Salomão se considerou criança, poderia, perfeitamente, ter apenas
quatorze ou treze anos de idade, e então ao morrer teria cinqüenta e
três a cinqüenta e quatro anos! Mas, se com essa idade iniciou a
construção do Templo, como justificar a presença das Romãs e dos
Lírios? Talvez uma manifestação profética, uma vez que esses adornos
foram determinados por Davi que os recebera do Senhor. Davi, por sua
vez, tivera um grande número de mulheres e concubinas, e o uso do vinho
afrodisíaco, poderia ter sido também um hábito seu. Em Jerusalém era
muito usada a Alcaparra, denominada em hebraico de Abyynah, cujos
brotos e flores excitavam os desejos sexuais; hoje as sementes
conservadas em vinagre constituem um condimento muito apreciado em toda
a parte.
De qualquer forma, é preciso encontrar-se uma
justificativa muito mais coerente sobre a presença das Romãs, do que a
simplista de que simbolizava a união fraterna, pela coesão de seus
grãos. A necessidade dos excitantes sexuais vem justificada pelo
costume que os poderosos tinham de manter junto a si, múltiplas esposas
e concubinas; os excessos sexuais da época não constituíam pecado ou
falha moral.
Completaremos o estudo sobre a Romã, examinando
detalhadamente o seu aspecto interno e externo. O fruto é arredondado,
assemelhando-se a um pequeno cântaro, ou a uma laranja de bom tamanho.
Sua casca é lisa e manchada na coloração mista do vermelho com o verde,
com manchas amareladas.
Na parte oposta ao pedúnculo que se
prende ao ramo, apresenta uma coroa formada de pequenos triângulos, e
no seu centro, restos de pistilos secos de sua flor. Essa flor é de cor
escarlate e composta de três pétalas carnosas que após desabrochar
completamente dão lugar a uma rosácea de cinco pétalas; curiosamente,
ao formar-se o fruto, surgem mais duas pétalas que se mantêm envolvidas
pela coroa, secando paulatinamente até ao completo desenvolvimento do
fruto.
A casca é grossa e robusta; quando bem maduro o fruto
rompe-se, pondo à mostra alguns grãos; quando colhida e deixada em
lugar quente, a Romã seca lentamente; não apodrece; e mesmo seco, o
fruto é utilizado, pois os seus grãos apresentam-se mais doces ainda. O
interior apresenta duas câmaras: a alta que contém cinco celas onde se
espremem dezenas de grãos, e a câmara baixa, que se apresenta da mesma
forma; os grãos têm no centro, uma diminuta semente branca e ao redor
uma grande parte carnosa e transparente, nas colorações que partem do
rosa pálido ao vermelho rubi. Essa parte interna lembra os favos de mel;
as celas são divididas por uma espécie de cortina branca e leve.
Essa película resistente é amarga, como o é toda a casca exterior,
possuindo propriedades medicinais; pela grande quantidade de tanino que
contém, é usada como adstringente para diarréia; a casca, em forma de
chá é um excelente vermífugo. Os grãos são saborosos, podendo ser
ingeridos agrupados; o gosto esquisito, é agridoce. No Oriente, como já
referimos, esses grãos macerados produzem um líquido que fermentado
resulta em vinho afrodisíaco. O simbolismo do fruto e de sua flor se
adequa à filosofia maçônica. A planta, ou melhor, o arbusto, tem as
folhas pequenas e perenes, de um verde escuro; a planta não atinge
altura significativa e desde cedo, quando em desenvolvimento, tendo um
metro e meio, já produz frutos. Os grãos simbolizam a união dos maçons
em seus vários aspectos: o fisiológico, porque cada grão possui
"carne", "sangue" (o suco) e "ossos", (as sementes). Os grãos crescem
unidos de tal forma que perdem o formato natural, que seria redondo;
espremidos uns aos outros, são semelhantes a polígonos geométricos, com
várias facetas; são lustrosos e belos, lembrando os favos de uma
colméia de abelhas; as abelhas trabalham sem descanso e assim lutam os
maçons.
Os frutos representam os maçons que estão no Oriente
Eterno; são pedras totalmente polidas que abrilhantam o Reino
Celestial. As câmaras simbolizam a vida externa e a interna, ou seja, a
mente humana e o espírito. As cinco células da Câmara Alta representam
as fases intelectuais onde se estuda a razão da verdade eterna;, o
conhecimento, o impulso para o elevado, para a moral e para a perfeita
harmonia.
Representam, ao mesmo-tempo, as cinco raças humanas,
perfeitamente unidas, sem preconceitos; também recordam as cinco idades
do homem: a embrionária, a infância, a do aprendizado, a construtiva e
a madura. As três células da Câmara Baixa correspondem ao aprendizado,
ao companheirismo e ao mestrado. As três substâncias do homem: sangue,
carne e ossos; ao homem Templo, ao homem Altar e ao homem Alma. As
três luzes: Ven.’. e Vvig.’.. O formato externo, representa a Terra,
seja pela sua esfera, seja pela sua coloração e conteúdo.
O
astronauta soviético Yuri Gagarin, quando pôde contemplar a Terra do
Cosmos, exclamou: "Ela é azul!". Hoje passada quase uma geração, o
jornalista japonês Akiyama, a bordo da estação orbital russa Mir enviou
a seguinte mensagem: "O ar e as águas estão visivelmente sujos. Estou
muito ocupado aqui, em cima, para ser filosófico; mas sinto que
realmente faço parte da mãe Terra, agora, e acredito que temos que
realmente fazer alguma coisa para salvá-la - acrescentou: eu não estou
falando dos desertos, mas em outras partes da África e da Ásia não há
muitas árvores". Que expressiva diferença após poucos anos! A Terra para
Gagarin era azul; para Toyohiro Akiyama, a Terra perdeu a suavidade
colorida!
A Romã expressa, na sua coloração, a realidade. A
coroa de triângulos ou coroa da virtude, do sacrifício, da ciência, da
fraternidade, do amor ao próximo, está colocada numa extremidade da
esfera. Simboliza o coroamento da obra da Arte Real. A flor rubra
representa a chama do entusiasmo que conduz o Neófito ao seu destino,
iluminando a sua jornada. As cores da Romã simbolizam: o verde, o reino
vegetal; a amarela, o reino mineral; e a vermelha, o reino animal. As
membranas brancas, que não constituem cor, mas a mistura de todas as
cores como as obtidas quando o raio transpassa o cristal formando o
arco-íris, simboliza a paz e o amor fraterno.
Podemos
acrescentar que o simbolismo da romã se equivale, na Arte Real, ao
simbolismo da Cadeia de União, da Orla Dentada, da Corda de 81 Nós, e ao
do Feixe de Esopo.
Em suma, a romã simboliza a própria Loja e a sua a Egrégora.