Elas são as plantas mais versáteis em qualquer jardim. Parecem
capazes
de se moldar às nossas idéias criativas. As trepadeiras são assim,
acrescentam charme e romantismo a diversos projetos. Integram ou separam
os espaços no jardim com naturalidade ímpar, seja na forma de cercas,
caminhos com arcos, caramanchões ou simples e delicadas treliças.
Apesar de tão úteis, é importante conhecer um pouco cada tipo de
trepadeira e o modo com que se fixam. Assim podemos adequá-las melhor ao
uso e ao tipo de suporte. O quadro abaixo, apresenta as principais
características dos diferentes tipos de trepadeiras.
Tipos de Fixação de Trepadeiras:
Trepadeiras com gavinhas
Também conhecidas como sarmentosas, elas apresentam estruturas, que
podem ser folhas ou ramos modificados, capazes de se enrolar no suporte,
permitindo assim a fixação e ascendência da planta.
Ex:
Maracujá,
Amor-agarradinnho
Trepadeiras volúveis
Seus caules e ramos jovens são capazes de se enrolar na estrutura,
durante o crescimennto da planta. Fixando-se em suportes mais estreitos,
como fios de nylon ou arame, e até mesmo colunas.
Ex:
Tumbérgia-azul,
Madressilva,
Sapatinho-de-judia
Trepadeiras de raízes adventícias
Ótimas para revestir muros, este tipo de trepadeira emite diretamente
do caule, raízes modificadas que penetram e grudam no suporte, com muita
aderência.
Ex:
Unha-de-gato, Falsa-vinha
Arbustos Escandentes
Apesar de não serem trepadeiras, podem ser conduzidas sobre diversos
suportes, desde que bem tutoradas e amarradas. Durante o crescimento,
seus ramos iniciam eretos e pendem após atingir certo comprimento.
Ex:
Bounganvília,
Alamanda
Agora que já conhecemos as maneiras com que as trepadeiras se fixam,
vamos aos diversos tipos de suporte que podemos lhes oferecer. Utilize
estas idéias para embelezar um cantinho ou corredor sem uso, ou mesmo
para ser o ponto principal do seu jardim.

Foto:
David Krieger
Revestimento de paredes: Quem nunca viu uma casa ou
um muro verde e ficou encantado? Paredes revestidas com trepadeiras são
muito charmosas e combinam com os jardins de estilo europeu,
principalmente o inglês. Mas este tipo de utilização requer alguns
cuidados, começando pelo tipo de trepadeira escolhida.
Neste caso, somente as trepadeiras com raízes adventícias podem ser utilizadas. Entre estas as mais utilizadas são a
unha-de-gato
e a falsa-vinha. A primeira exige podas freqüentes, mas permanece verde
o ano todo. Já a falsa-vinha muda a cada estação: é verde na primavera e
verão, fica vermelha no outono e perde totalmente as folhas no inverno,
mas tem baixa manutenção, não exigindo podas.
Quanto mais áspera a parede ou muro, melhor para estas trepadeiras
subirem. Ambas só podem ser cultivadas com sol pleno ou meia-sombra e
preferem que a construção não tenha acabamento, sendo apenas chapiscada
com concreto. A falsa-vinha, no entanto, adere também em paredes com
pintura ou com tijolo à vista.

Foto:
Jason Meredith
Caramanchões: Os caramanchões são as maiores e mais
caras estruturas para as trepadeiras. Construídos com fortes colunas e
réguas, eles são adequados para grandes e médios jardins. De madeira
maciça, metal ou concreto, os caramanchões são feitos para durar. Por
isso suas colunas devem ser chumbadas ao terreno com concreto,
protegendo-se assim sua estrutura dos tombamentos e da umidade.
Os caramanchões são espaços de descanso e
lazer,
que podem ser utilizados isolados ou para integrar áreas ao jardim. Com
móveis próprios para exteriores eles se tornam verdadeiras salas de
estar ao ao livre. Democráticos, eles podem combinar com diferentes
estilos paisagísticos. Madeiras rústicas e com pouco acabamento combinam
com jardins tropicais, enquanto que as estruturas de alvenaria, metal e
madeira lisa vão bem com jardins mais clássicos e contemporâneos.
A altura dos caramanchões deve ser de no mínimo 2,5 metros,
para que as pessoas mais altas possam usufruir do espaço com conforto.
Por serem estruturas mais altas, próprias para serem admiradas de baixo
também, os caramanchões podem ser revestidos com trepadeiras de
flores pendentes, como a
sapatinho-de-judia e a
trepadeira-jade por exemplo. As frutíferas também são excelentes para este tipo de estrutura, como a
videira, o
kiwizeiro e o
maracujazeiro. Caramanchões utilizados como garagem exigem trepadeiras que não larguem flores ou frutos capazes de manchar os automóveis.

Foto:
Brian Barker
Pergolados: São suportes mais leves que
caramanchões e podem ocupar espaços menores. As pérgolas são formadas
por uma ou duas séries de colunas paralelas. Elas podem ser de madeira,
metal, concreto ou bambú e servem para proteger e
criar
espaços de lazer e interação com a natureza. Podem ser colocadas em
varandas, garagens, jardins internos, sobre bancos ou simplesmente para
proteger outras plantas, como um pequeno orquidário por exemplo.
A própria estrutura da pérgola é capaz de sombrear parcialmente os
ambientes, mas é com as trepadeiras que elas ficam completas. Dependendo
da sua necessidade e desejo, pode-se escolher trepadeiras vigorosas que
sombreiem bem a área, como a
tumbérgia-azul, ou mesmo trepadeiras leves e anuais, que acrescentam graça ao local sem pesar no visual, como a
clemátis e a
amarelinha.
Neste tipo de estrutura qualquer trepadeira vai bem, basta respeitar
as particularidades de cada espécie e adequá-la ao material utilizado no
pergolado. Trepadeiras lenhosas e pesadas exigem uma estrutura mais
reforçada, enquanto que as herbáceas e mais delicadas vão bem em
qualquer tipo de material.

Foto:
Randy
Cercas: Cercas ou alambrados de arame são tão
feinhas quando solitárias. Com trepadeiras, elas podem ser transformar
em floridas cercas-vivas. Mesmo as cerquinhas de madeira, mais
simpáticas, ficam graciosas com trepadeiras delicadas. Para este tipo de
suporte, as trepadeiras mais indicadas são as floríferas, de
crescimento rápido, principalmente as volúveis e com gavinhas.
As cercas e portões com trepadeiras, podem ser muito úteis,
escondendo estruturas feias, e protegendo a residência da poluição, seja
ela provocada pelo pó ou pelo som. Além disso, elas resguardam a casa e
o jardim de olhares curiosos, garantindo a privacidade dos moradores.
Para que a cerca feche bem rápido, plante mudas sadias, de um metro
altura, a cada 2 metros lineares da cerca. Quando bem conduzidas,
adubadas e podadas, as cercas de trepadeiras ganham corpo e muitas
flores, alterando a paisagem. Algumas espécies indicadas para este uso
são a
tumbérgia-azul, o lençol-branco, a
ipoméia e o
amor-agarradinho.

Foto:
Jackie
Colunas e Árvores: Quer ter trepadeiras no jardim,
mas sem aumentar a área de sombra? Uma das soluções é dar suportes
verticais para as trepadeiras. As colunas cumprem bem este papel, assim
como as árvores. Trepadeiras floridas, como
bounganvílias,
glicínias,
viuvinhas, ocupam graciosamente a copa perdida daquela árvore que morreu e as volúveis são perfeitas para se enroscar sobre as colunas.
Outro objetivo também bastante comum é fazer com que o jardim tenha
um aspecto de antigo,
tornando-se mais aconchegante. As trepadeiras de
meia-sombra, folhagem ornamental e com raízes adventícias, como as
heras,
monsteras e
jibóias,
sobre as árvores, prestam-se muito bem para esta função. Além disso a
área falhada do gramado, que geralmente fica sob a copa, é tomada pela
trepadeira, afinal elas também fazem às vezes de forração. Deve-se ter o
cuidado no entanto, para que as trepadeiras não sufoquem suas árvores
suportes, com podas periódicas.
Arbustos e árvores também podem receber eventualmente trepadeiras
anuais. Controladas e removidas após seu ciclo, elas não oferecem risco à
saúde das plantas. O cuidado aqui, é para que a trepadeira invada
apenas parte da copa da planta, reduzindo apenas um pouco da insolação.

Foto:
Bradleyolin
Coroamento de muros: Os muros geralmente são
sisudos, chegando até a ser antipáticos aos pedestres que passam pela
calçada. Com uma trepadeira bem conduzida, os muros podem ganhar
graciosidade e beleza, pois os contornos naturais e curvilíneos da
planta suavizam as linhas rígidas da construção. Além disso, o muro
sempre ganha pelos menos alguns centímetros em altura, favorecendo desta
forma a privacidade e a proteção contra a poluição.
Neste caso podem ser usadas tanto trepadeiras volúveis e sarmentosas
como arbustos escandentes. Só o manejo e o tutoramento serão diferentes.
As trepadeiras necessitarão de suportes que as levem até o topo dos
muros, indicando o caminho. Estes suportes podem ser fixos ou
temporários, disso vai depender a espécie escolhida e suas
características. Trepadeiras lenhosas que engrossam o caule com o passar
dos anos, dispensarão os tutores depois de bem estabelecidas. Este tipo
de trepadeira é o que dá mais altura e corpo ao coroamento dos muros,
como as
bouganvílias. Coroamentos mais suaves podem ser feitos com
ipoméias por exemplo.
Este tipo de utilização deve atentar para o bem estar dos pedestres
também. Galhos espinhosos e compridos, pendendo sobre o caminho, podem
ferir as pessoas e render sérios incomodos. Melhor cuidar para que a
trepadeira traga somente alegrias e flores, com amarrações e podas
periódicas.

Foto:
Carolyn Jewel
Arcos: Os arcos são suportes simples, leves,
geralmente metálicos ou plásticos e que remetem a um jardim romântico.
Eles são suportes ideais às trepadeiras que necessitam ter seus ramos
arqueados para florescer em abundância, como as
roseiras trepadeiras.
Eles possuem a vantagem e a facilidade de se encaixar em diversos
espaços. Um jardim pequeno, pode usufruir de um cantinho agradável com
um arquinho sobre um banco ou uma cadeira de balanço. Portões pequenos
ou grandes, transformam-se em pórticos quando emoldurados por arcos. A
sensação que se tem é que estamos deixando o mundo lá fora e adentrando
um mundo mágico, como um jardim secreto.
Arquinhos podem compôr outras idéias lúdicas no jardim, como
caminhos. Para isto, basta enfileirar uma série de arquinhos que
conduzem para um ponto de atração, como um portão, um espelho ou uma
fonte. A criatividade é que manda. Os arquinhos portáteis, por serem
estruturas mais leves, pedem trepadeiras mais delicadas. Uma boa
sugestão para estes são as trepadeiras anuais, como a
ipoméia, a
amarelinha, a
clemátis, a
gloriosa, a
trepadeira-mexicana,
etc. Já os arcos mais resistentes, de portões de casas de campo por
exemplo, podem ser cobertos com trepadeiras mais vigorosas.

Foto: Buck
Treliças: As treliças são suportes charmosos e
práticos. De variados tamanhos, elas podem ser de madeira, metal, bambú
ou plástico. Sua forma básica é feita pelo cruzamento ou entrelaçamento
de ripas em “X”. Com uma ampla gama de modelos prontos ou feitos sob
medida, elas se encaixam em diversas utilizações e estilos de jardim.
Sua integração com o ambiente vai depender da habilidade do paisagista
em combinar os materiais e acabamentos com os diferentes tipos de
arquitetura e estilo.
A união de treliças com outras estruturas também pode ser harmoniosa.
Assim pode-se ter um caramanchão ou pérgola com paredes treliçadas, ou
até mesmo cercas treliçadas, tudo para oferecer suportes mais charmosos e
apropriados para a ascensão das trepadeiras. Biombos treliçados por
exemplo, são excelentes para dividir ambientes no jardim e dar mais
privacidade e conforto a varandas e fachadas.
Mas as treliças mais democráticas são as pequenas e móveis, que podem
ser colocadas em vasos e jardineiras, dando suporte a delicadas
trepadeiras anuais, como as gloriosas. Estas podem ir até para
interiores, suportando trepadeiras de meia-sombra, como
filodendros. As idéias são muitas, basta escolher a treliça que melhor se encaixa com seus desejos.

Foto:
Emi Yañez
Telhados, fachadas, varandas e sacadas: Arcos,
pergolados e suportes treliçados podem ser utilizados para conduzir
trepadeiras em fachadas e varandas. As colunas podem levar uma bela
bounganvília
para se deitar sobre o telhado, garantindo sombra o ano todo e muitas
flores na primavera. Arames e fios de nylon também podem ser utilizados
para tutorar diversos tipos de trepadeiras, inclusive arbustos
escandentes. Nas sacadas, as trepadeiras plantadas em jardineiras, ficam
esplendorosas, dando privacidade em treliças e cerquinhas e derramando
seus ramos e flores como uma cascata.
Texto: Raquel Patro