sexta-feira, 16 de março de 2012

PRODUÇÃO DE UVA DE MESA




   

Sistema de Produção de Uva de Mesa do Norte de Minas Gerais


Poda e quebra de dormência
A poda da videira compreende todas as operações realizadas na planta com o objetivo de equilibrar o crescimento vegetativo e a produção, fornecendo condições para que a planta produção frutas com as máximas quantidade e qualidade durante o maior período possível.

As classificações, as denominações e as épocas das podas podem variar conforme a região e a preferência dos técnicos e viticultores. Assim sendo, para facilitar a apresentação, será utilizada uma forma didática para apresentação das etapas e operações importantes para a realização da poda e da quebra de dormência para a produção de uvas finas de mesa em Pirapora.

Poda de formação da planta
Poda Madura
Podas verdes
Quebra de dormência

Poda de formação da planta
                          Essa poda tem por objetivo formar a planta, 
                        após a enxertia, dando a estrutura necessária 
                          para otimização da produção e para facilitar 
                              a realização das operações de manejo 
                                        e fitossanitárias no pomar.

Para formação da planta com dois braços, independente se a condução seja feita no sentido da rua ou no sentido da entre-linha, durante o crescimento do broto do enxerto, faz-se a retirada de brotos laterais (netos), exceto os dois últimos logo abaixo do aramado.

 Para fazer a desponta da brotação principal e deixar os dois netos que formarão os braços da planta, recomenda-se fazê-lo quando a brotação já ultrapassou a altura da latada, momento em que os entre-nós já atingiram o comprimento definitivo e não há riscos das brotações deixadas para formação dos braços ficarem muito próximas dos arames ou até acima destes. Nos dois brotos são deixados todos os brotos laterais (netos) para a formação das primeiras varas de produção.

Na condução destes brotos, futuras varas de produção, é realizada: a retirada de brotos laterais (netos ou feminelas), ainda jovens, de gavinhas, e é feito o desponte terminal das varas quando estiverem com 1,60 m de comprimento. Se ocorrer a brotação da última gema, este broto originado deve ser despontado com três a quatro folhas.

Para formação de plantas com um único braço, a recomendação é a mesma, apenas é deixado uma única brotação lateral do enxerto ou a brotação deste é conduzida no sentido desejado, eliminado-se os netos que ficam abaixo da estrutura da latada.

Poda Madura
Em Pirapora, a poda seca pode ser dividida em dois tipos diferentes de poda: a poda de produção ou frutificação e a poda de renovação ou formação de ramos. Essas podas diferem pela época de realização e pelo objetivo, visto que a primeira visa a obtenção de frutos e a segunda visa somente a formação de ramos para produção no ciclo seguinte.
A seguir serão apresentados os principais aspectos envolvidos em cada uma dessas podas:

Poda de produção ou poda de frutificação
A poda de produção é realizada em ramos lignificados, com cerca de 6 meses de idade, e tem o objetivo de equilibrar a brotação e a produção de cachos, de forma a deixar a maior quantidade de cachos possível para permitir a máxima qualidade às frutas.

O número de gemas deixadas nas varas durante a poda de produção vai depender da cultivar e de outros fatores, como vigor, estado fitossanitário, número de varas existentes, entre outros. Normalmente, para as principais cultivares de uvas finas de mesa, a poda de produção é feita deixando-se cerca de 10 gemas nas varas, das quais apenas as 4 ou 5 gemas apicais recebem a aplicação de produto para quebra da dormência, as demais permanecem sem brotar durante todo o ciclo. Em ramos fracos ou atacados por pragas ou doenças, a poda de produção pode ser realizada deixando-se um menor número de gemas.

O número de varas a serem deixadas na planta vai depender da cultivar, do espaçamento, da estrutura da planta, etc, mas, de modo geral, pode-se considerar que para otimizar a produção deve ser deixada uma vara a cada 20-25cm do mesmo lado do braço, ou seja, a poda deve ser longa.
Quanto a época, em Pirapora, a poda de produção é realizada no primeiro semestre, normalmente a partir de fevereiro, quando as chuvas começam a diminuir na região. Com isso, a maturação, dependendo da cultivar e da época, inicia a partir de 120 dias após a poda.

Poda de renovação ou formação de ramos
A poda de formação de ramos tem por objetivo formar os ramos produtivos do próximo ciclo. É realizada cerca de 30 dias após a colheita das uvas e, diferentemente da poda de produção, são deixadas apenas 2 ou 3 gemas, ou seja, é uma poda curta. Essa poda é realizada na mesma vara que foi podada no ciclo anterior, de modo que as próximas brotações fiquem próximas dos braços da planta.

Após a poda, é feita a aplicação de produto para quebra da dormência em todas as gemas. Os cachos que surgirem nas brotações devem ser eliminados, tão logo seja possível.

                            Quanto à época,a poda de formação de ramos
                          é realizada no segundo semestre do ano, período 
                              em que já pode haver ocorrência de chuvas.

Podas verdes
As podas verdes compreendem todas aquelas operações realizadas na planta com o objetivo de melhorar a estrutura da planta, a insolação, a aeração, o manejo e o controle fitossanitário. As principais podas verdes realizadas para produção de uvas finas de mesa em Pirapora são a desbrota, o desnetamento, a eliminação de gavinhas, o desponte de ramos e, se for o caso, de cachos, a desfolha e o raleio de bagas.
A seguir serão apresentadas as principais recomendações para cada uma dessas operações.

Desbrota
A desbrota consiste na eliminação de brotações que surgem do tronco e do porta-enxerto; das brotações que estão em excesso nos ramos deixados tanto na poda de produção quanto na poda de formação de ramos. A desbrota deve ser realizada o mais cedo possível, o que aumenta o rendimento da operação, facilita a cicatrização e evita o uso de tesouras. Nessa operação, é possível fazer a seleção das melhores brotações, bem como fazer a adequação do número de unidades produtivas adequada para os próximos ciclos naquela planta.

Desnetamento
Ao desnetamento consiste na eliminação das brotações secundárias que surgem das axilas das folhas. Essas brotações funcionam com "ladrões" da seiva, impedindo o crescimento adequado das brotações e dos cachos, provocam, também, o sombreamento excessivo, dificultam a aplicação de produtos fitossanitários, entre outras. Por isso, devem ser eliminadas manualmente o mais rápido possível.

Eliminação de gavinhas
A retirada das gavinhas, estruturas responsáveis pela fixação dos ramos da videira, é uma operação que deve ser feita tão logo seja possível, de preferência manualmente.

Desponte de ramos e de cachos
O desponte de ramos tem por finalidade evitar o crescimento excessivo dos mesmos. No caso de brotações com cachos, o desponte dos ramos faz com que a seiva seja direcionada para o crescimento dos frutos e das folhas e não dos ramos. O desponte dos cachos, por sua vez, tem por objetivo melhorar a conformação, uniformizar o teor de açúcares e melhorar o tamanho das bagas remanescentes.

Desfolha
A eliminação de folhas tem por objetivo equilibrar a relação área foliar/número de cachos, melhorar a ventilação e a insolação no interior da parreira. Normalmente, a desfolha é feita em plantas vigorosas, com folhas grandes, com entre-nós curtos, etc., e são eliminadas as folhas da base, até próximo ao primeiro cacho, juntamente com o desnetamento e a eliminação das gavinhas. Deve-se tomar o cuidado para não fazer uma desfolha muito intensa, o que pode trazer prejuízos à planta pelo menor acúmulo de açúcares nos cachos, dificuldade de maturação de ramos, bem como a ocorrência de queimaduras de bagas pela ação dos raios solares.

Raleio de bagas
O raleio de bagas é uma das operações com maior exigência de mão-de-obra e, consequentemente, com maior custo na produção de uvas finas de mesa. Nas cultivares Itália, Rubi, Benitaka e Brasil, para obtenção de cachos e de bagas de tamanho e qualidade adequados para o comércio, é necessário fazer a eliminação do excesso de bagas. Essa prática pode ser feita em duas fases distintas. A primeira fase é na pré-floração, quando os botões florais soltam facilmente do cacho. Nessa fase é utilizado o "pente" plástico ou mesmo com a mão, em processo denominado "pinicagem".

 O raleio com pente possibilita um bom rendimento e uma boa eficiência, porém não deve ser utilizado em períodos chuvosos. O pente é passado várias vezes até se chegar à eliminação do número desejado de botões florais, o que, em alguns casos, chega a 80% do número total. Nessa operação são mantidos os ombros e pencas dos cachos, eliminado-se apenas os botões florais. Após o raleio com pente, é necessário fazer a aplicação de um fungicida para proteção do cacho.
 
Uma segunda fase para o releio de bagas é após a fecundação, a partir da fase de chumbinho. Nessa fase, é utilizada a tesoura de desbaste para eliminação das bagas. O raleio com tesoura é mais utilizado como uma complementação ao raleio com pente, uma vez que é bem mais trabalhoso e demorado. Com a tesoura são eliminadas as bagas pequenas, com algum tipo de defeito, localizadas na parte interna do cacho e as que estão ainda em excesso, deixando-se as bagas de tamanho e distribuição uniformes.

Desbaste de cachos
O desbaste de cachos consiste na eliminação do excesso de cachos, de modo a deixar uma produtividade que permita a obtenção de máxima qualidade das frutas. Deve ser feito o mais rápido possível, a fim de evitar a competição com os cachos que serão deixados na planta. A eliminação dos cachos é feita com tesoura, deixando-se os cachos maiores ou melhor formados.

No caso das cultivares sem sementes BRS Morena, BRS Clara e BRS Linda, a operação de eliminação do excesso de cachos é fundamental para a obtenção de uvas com a qualidade exigida pelo mercado, tanto em tamanho de bagas quanto em teor de açúcar e sabor.

Quebra de dormência
A quebra de dormência na região de Pirapora é feita utilizando-se o produto comercial Dormex?, que possui 49% do ingrediente ativo que é a cianamida hidrogenada. O Dormex? é aplicado diretamente às gemas, via pincelamento, imersão dos ramos ou pulverização, em concentrações que variam de 5 a 7%, logo após a realização da poda. 

O objetivo principal é a indução e a uniformização das brotações, já que, nessa e em outras regiões produtoras de uvas finas de mesa do Brasil, a ocorrência de frio não é suficiente para a quebra natural da dormência das gemas.

No caso das podas de produção, a aplicação do Dormex? é feita somente em 4 a 5 gemas da ponta dos ramos, que emitirão as brotações e os cachos. Nas demais gemas não é feita a aplicação. Atualmente, não é possível uma produção de uvas em quantidade e com qualidade em Pirapora sem a aplicação de produtos para a quebra de dormência.

Para a aplicação de produtos para a quebra de dormência, assim como os produtos fitossanitários, é necessária a utilização de equipamentos de proteção individual adequados.

Doenças e seu controle
A videira está sujeita a uma série de doenças, que podem ocorrer em todas as partes da planta, como raízes, troncos, ramos, folhas, brotos e cachos. Algumas dessas doenças, de natureza fúngica ou virótica, provocam grandes perdas e, frequentemente, tornam-se fatores limitantes à viticultura em regiões tropicais, caso medidas adequadas de controle não sejam adotadas. Eficiência e capacidade de manter um custo de produção competitivo no mercado são algumas características essenciais a um método de controle. 

A utilização de um conjunto de medidas que englobem os princípios gerais de controle de doenças de plantas - evasão, exclusão, erradicação, regulação, proteção, imunização e terapia- é a melhor alternativa. Assim, deve-se aliar a escolha do local adequado de plantio, uso de cultivares resistentes e material de propagação sadio, adubação equilibrada, manejo correto da cultura, eliminação de plantas ou partes vegetais doentes e o controle de insetos pragas e plantas invasoras ao uso de fungicidas.

O conhecimento dos patógenos importantes para as diferentes cultivares de videira e os estádios de maior suscetibilidade da planta às principais doenças, a influência das condições climáticas sobre os patógenos e as plantas e os fungicidas empregados em cada situação, auxiliarão no estabelecimento de um programa de controle químico racional de doenças, tornando os tratamentos mais eficientes e reduzindo os custos de produção e os riscos de contaminação do ambiente.

Dentre as doenças fúngicas que ocorrem em uvas finas de mesa na região de Pirapora, Minas Gerais, destacam-se míldio (Plasmopara viticola), oídio (Uncinula necator), podridões de cachos (Glomerella cingulata, Botryotinia fuckeliana), antracnose (Elsinoe ampelina) e ferrugem (Phakopsora euvitis). Além das doenças fúngicas, as viroses também podem causar sérios prejuízos aos viticultores.

Míldio - Plasmopara viticola
Principal doença fúngica em áreas tropicais, o míldio, também conhecido como mofo ou mufa, é causado pelo pseudofungo Plasmopara viticola e pode causar perdas de até 100% na produção. As condições climáticas ideais para o desenvolvimento da doença são temperaturas entre 18 °C e 25 °C e umidade relativa do ar acima de 60%. A presença de água livre na superfície dos tecidos vegetais, seja proveniente de chuvas, orvalho ou gutação, por um período mínimo de 2 horas, é indispensável para que ocorra a infecção, sendo a umidade relativa do ar acima de 95%, necessária para a produção de esporos. 

O patógeno afeta todas as partes verdes da planta. Nas folhas, inicialmente aparecem manchas amareladas, translúcidas contra o sol, denominadas de "mancha de óleo"

Míldio - Plasmopara viticola
Principal doença fúngica em áreas tropicais, o míldio, também conhecido como mofo ou mufa, é causado pelo pseudofungo Plasmopara viticola e pode causar perdas de até 100% na produção.(...continua)

Oídio - Uncinula necator
Conhecido também por cinza ou mufeta, o oídio, causado por Uncinula necator, forma conidial Oidium tuckeri, é uma doença de grande importância quando ocorrem períodos secos. A germinação dos esporos - inibida pela presença de água livre na superfície das folhas (...continua)

Antracnose - Elsinoe ampelina
A antracnose, também conhecida como varola, negrão, carvão e olho-de-passarinho, é causada pelo fungo Elsinoe ampelina, forma conidial Saphaceloma ampelinum. As condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento do fungo são ventos frios e umidade relativa elevada. (...continua)

Podridões do cacho - Glomerella cingulata e Botryotinia fuckeliana
As principais podridões do cacho que podem ocorrer de Pirapora são a podridão da uva madura, a podridão cinzenta ou mofo cinzento e podridão ácida, que provocam perdas tanto na qualidade como na quantidade da uva produzida. Ferimentos nos frutos favorecem o estabelecimento dos patógenos e adubação nitrogenada em excesso favorece o desenvolvimento das podridões, pois proporciona alto vigor à planta. 

Essas doenças podem ocorrer simultaneamente no mesmo cacho e, normalmente, provocam murcha e mumificação de parte ou de todas as bagas. Alta umidade favorece o desenvolvimento e a esporulação dos fungos, que podem ser disseminam pela ação do vento, da chuva e de insetos.(...continua)

Ferrugem - Phakopsora euvitis
(.....)Os sintomas da ferrugem na videira são lesões amareladas a castanhas de várias formas e tamanhos nas folhas. Massas amarelo-alaranjadas de uredosporos são produzidas na face inferior das folhas (Fig. 17), com manchas escuras necróticas na face superior. Ataques severos do fungo causam senescência e queda prematura de folhas, prejudicando a maturação dos frutos e reduzindo o vigor das plantas no ciclo seguinte.

Para o controle químico da ferrugem da videira, normalmente não são necessárias pulverizações específicas, uma vez que os fungicidas do grupo dos triazóis, utilizados para o controle de oídio, também são eficientes no controle de Phakopsora euvitis. Da mesma forma, estrobilurinas, como azoxistrobina e piraclostrobina, e diversos fungicidas que contém ditiocarbamatos e clorotalonil, os quais são utilizados para o controle de míldio e outras doenças, também controlam a ferrugem.

Requeima das folhas
A requeima das folhas da videira foi observada pela primeira vez em uvas americanas (Vitis labrusca L.) e híbridas cultivadas na região de Jales (SP), no início da maturação dos frutos, no ano de 1998 e, no ano seguinte, o problema passou a ser observado também nas cultivares de uvas finas (Vitis vinifera L.), durante o ciclo de formação. 

A doença provoca a queda prematura de folhas e prejudica a maturação dos frutos, tornando os cachos inadequados para a comercialização. Além disso, compromete a formação e maturação dos ramos para o ciclo seguinte, devido ao menor acúmulo de reservas de carboidratos.
Os sintomas iniciais, em cultivares de Vitis vinifera, são lesões castanho-claras com bordos escuros, podendo apresentar anéis concêntricos e halo amarelado bem visível (Fig. 18).

 Essas lesões, predominantes nos bordos foliares, aumentam rapidamente de tamanho e podem coalescer, cobrindo quase todo o limbo, o que provoca a morte e queda das folhas. A esses sintomas observados nas folhas de videiras, fungos do gênero Alternaria têm sido encontrados em constante associação, embora os testes de patogenicidade ainda não tenham sido concluídos.

Para o controle químico da requeima das folhas, não são necessárias pulverizações específicas, uma vez que os fungicidas do grupo dos triazóis, utilizados para o controle de oídio, também são eficientes no controle de Alternaria sp.

Doenças da madeira ou declínio da videira ou botriodiplodiose - Eutypa lata, Botryosphaeria spp.
Declínio ou morte descendente é um termo genérico que, num conceito mais amplo, designa a morte lenta e gradual de plantas ou partes da planta provocada por agente(s) bióticos ou abióticos. Os principais agentes de declínio da videira identificados no Brasil são Eutypa lata (forma conidial Libertella blepharis) e Botryosphaeria spp. (forma conidial Botryodiplodia theobromae e Dothiorella sp).

Os fungos penetram pelos ferimentos das podas ou outras injúrias produzidas sobre as plantas, se desenvolvem numa ampla faixa de temperatura e são favorecidos por alta umidade. O estresse hídrico e desequilíbrios nutricionais agravam a doença.

Os fungos penetram pelos ferimentos das podas ou outras injúrias produzidas sobre as plantas, se desenvolvem numa ampla faixa de temperatura e são favorecidos por alta umidade. O estresse hídrico e desequilíbrios nutricionais agravam a doença.

Os sintomas, bastante genéricos, são retardamento da brotação após a poda; encurtamento dos internódios; folhas pequenas e mal formadas com pequenas necroses nas margens, redução drástica de vigor, superbrotamento, frutificação irregular e menor número de bagas, seca de ramos e morte da planta. Cancros formados nos ramos velhos e frutificações do fungo, são importantes para o diagnóstico do agente causal. Um corte transversal do ramo na área afetada mostra um escurecimento em forma de "V", contrastando com a parte ainda viva da madeira (Fig. 19).

Para o controle do declínio da videira recomenda-se a utilização de material de plantio sadio; retirada e destruição de ramos podados e partes afetadas da planta, protegendo-se os ferimentos com pasta bordalesa, tebuconazole ou tiofanato metílico; desinfestação das ferramentas de poda com água sanitária. As plantas parcialmente afetadas podem ter suas copas renovadas, fazendo-se uma poda drástica logo acima do enxerto.

 A redução da ação 
dos fatores que provocam estresse nas plantas
 poderá diminuir os efeitos do declínio e, 
                                     às vezes, até controlá-lo.
Uso de fungicidas no controle de doenças em cultivares de uvas de mesa
As pulverizações com fungicidas nas cultivares de uvas finas de mesa devem iniciar logo após a brotação, quando as plantas entram na fase de maior suscetibilidade às principais doenças fúngicas (Fig. 20), utilizando-se, de forma racional, produtos registrados para a cultura (Tabela 2). 

Além da escolha do local adequado para implantação da parreira e a adoção de práticas de manejo que melhorem a aeração da copa, a calibração dos pulverizadores é um fator muito importante para o sucesso do tratamento fitossanitário, podendo contribuir para a redução do uso de fungicidas na cultura.

No tratamento químico de doenças em uvas para mesa, deve-se cuidar para que as bagas não sejam manchadas, depreciando o valor comercial do cacho. Para aplicação de fungicidas formulados na forma de pó molhável, após a floração, recomenda-se a utilização de bicos de baixa vazão e a adequação da velocidade de deslocamento do trator, evitando-se o escorrimento do produto.

Embora sejam mais eficazes que os fungicidas de contato, os fungicidas sistêmicos e mesostêmicos, por apresentarem sítios de ação mais específicos, podem induzir o aparecimento de raças resistentes na população dos patógenos. Dessa forma, produtos que possuam ação sistêmica e pertençam ao mesmo grupo químico, não devem ser utilizados em mais de duas ou três aplicações por ciclo vegetativo.

Para o controle do míldio da videira o produtor tem a sua disposição os fosfitos, produtos derivados do ácido fosforoso, que são menos tóxicos. Estes produtos possuem ação estimulante das defesas naturais da planta, induzindo a produção de fitoalexinas. Os fosfitos mostraram alta eficácia no controle do míldio tanto em aplicações isoladas como em misturas com outros fungicidas. Embora diversas marcas comerciais estejam disponíveis no mercado, pode-se utilizar uma dosagem de 200 a 300 mL/100 litros de calda. Além de eficazes, estes produtos não mancham as uvas.


Todos os direitos reservados, conforme Lei n° 9.610

 

Pablo Picasso 
Fonte:
Embrapa
emasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Uva/MesaNorteMinas/poda.htm
http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Uva/MesaNorteMinas/doencas.htm

quarta-feira, 14 de março de 2012

A HISTÓRIA DO CAFÉ



 

 
















A propagação global do cultivo do café de beber começou no Corno de África, onde, segundo a lenda, as árvores de café se originou na província etíope de Kaffa. Há registros de que o fruto da planta, conhecida como grãos de café, foi comido por escravos retirados do dia atual Sudão para o Iêmen e da Arábia através da porta grande do seu dia, Mocha.  

O café foi certamente a ser cultivado no Iêmen por volta do século 15 e provavelmente muito mais cedo. Na tentativa de evitar o seu cultivo em outros lugares, os árabes impuseram um embargo à exportação de grãos de café férteis, uma restrição que acabou por ser contornada em 1616 pelos holandeses, que trouxe as plantas de café ao vivo de volta à Holanda para ser cultivada em estufas.
 
Inicialmente, as autoridades do Iêmen activamente encorajadas a beber café. Os primeiros cafés ou kanes Kaveh abriu em Meca, e rapidamente se espalhou por todo o mundo árabe, prosperando como lugares onde o xadrez era jogado, a fofoca foi trocado e canto, dança e música foram apreciados.  

Nada como este já existia antes: um lugar onde a vida social e empresarial, poderá ser realizado em ambiente confortável e onde - pelo preço de uma xícara de café - qualquer um poderia se aventurar. Talvez previsivelmente, o café Arábica logo se tornou um centro de atividade política e foi suprimida.

Durante as próximas décadas os cafés foram proibidas várias vezes, mas manteve a reaparecer até que finalmente uma saída de maneira aceitável foi encontrada quando a taxa foi introduzida em ambos.
 
No final dos anos 1600, os holandeses fizeram o cultivo do café em Malabar na Índia e em 1699 tomou algumas plantas para a Batávia, em Java, no que hoje é a Indonésia. Dentro de poucos anos as colônias holandesas haviam se tornado os principais fornecedores de café para a Europa, onde o café foi trazido pelos comerciantes venezianos em 1615. Este foi um período em que as duas  globalmente significativas bebidas quentes também apareceram na Europa. 

 Chocolate quente era o primeiro,
 interposto pelo espanhol das Américas para a Espanha em 1528,
 e chá, que foi vendido pela primeira vez na Europa em 1610. 
 O primeiro café 
foi vendido principalmente 
pelos vendedores de limonada e se acreditava 
ter qualidades medicinais.  
 
O primeiro Café europeu 
abriu-se em Veneza em 1683,
 com o mais famoso, Caffe Florian na Piazza San Marco, 
aberto em 1720.
 Ele ainda está aberto para negócios até hoje. 
  O maior mercado 
de seguros do mundo, a Lloyd, de Londres,
 começou a vida como um café. Foi iniciado em 1688 
por Edward Lloyd, que preparou a lista dos navios 
que seus clientes haviam segurado.
 
 
A primeira referência literária ao café sendo bebido na América do Norte é de 1668 e, logo depois, casas de café foram estabelecidas em Nova York- Filadélfia, Boston e outras cidades. O Boston Tea Party de 1773 foi planejado em uma casa de café, o Green Dragon. Tanto o New York Stock Exchange e do Bank of New York começou em cafés no que é hoje conhecida como Wall Street. 
Em 1720
um oficial naval francês
 chamado Gabriel Mathieu de Clieu,
 enquanto estava de licença em Paris,
de seu posto na Martinica, adquiriu uma árvore de café
com a intenção de levá-la com ele na viagem de regresso. 
  Com a fábrica garantiu em uma caixa de vidro no convés para mantê-lo quente e evitar danos causados ​​por água salgada, a viagem foi agitada. Conforme registrado no próprio diário de Clieu, o navio foi ameaçado por piratas tunisinos. Houve uma violenta tempestade, durante o qual a planta teve que ser amarrado. Um colega policial ciumento tentou sabotar a planta, resultando em um ramo  arrancado. 

  Quando 
o navio foi a calmaria
 e água potável racionada,
 De Clieu garantiu a sobrevivência da planta,
 dando-lhe maior parte de sua água preciosa. 
 
Finalmente, o navio chegou a Martinica e o cafeeiro foi replantada em Preebear. Ela cresceu e se multiplicou, e em 1726 a primeira colheita estava pronta. Está registrado que, em 1777, havia entre 18 e 19 milhões de cafeeiros em Martinica, e o modelo para uma nova colheita de dinheiro, que poderia ser cultivada no Novo Mundo estava no local.
 
Mas foi o holandês
que começou a propagação
da planta de café na América Central e do Sul,
 onde hoje reina suprema como a principal cultura
de rendimento continental. 
 O Café chegou
 pela primeira vez na colônia holandesa
 do Suriname em 1718, a ser seguido por plantações
na Guiana Francesa e os primeiros de muitos no Brasil
no estado do Pará.

 Em 1730 o café britânico
introduziu-se  na Jamaica, onde hoje
é o café mais famoso e o mais caro do mundo
- é  cultivado nas Montanhas Azuis.
 
Os séculos 17 e 18 viram a criação em todo o Brasil 
de vastas plantações de açúcar ou fazendas, 
de propriedade da elite do país.  
 
Com os preços do açúcar enfraquecido na década de 1820, o capital e o trabalho migrou para o sudeste, em resposta à expansão da cafeicultura no Vale do Paraíba, onde havia sido introduzido em 1774.

  No início de 1830 
o Brasil era o maior produtor do mundo, 
com cerca de 600.000 sacas por ano,
 
 seguido de Cuba, Java e no Haiti, cada um com produção anual de 350 a 450.000 sacos. A produção mundial foi de cerca de 2,5 milhões de sacas por ano.
 
A rápida expansão da produção no Brasil e Java, entre outros, causou um declínio significativo nos preços mundiais. Estes ao fundo do poço no final da década de 1840, a partir de que ponto um forte movimento ascendente ocorreu, atingindo seu auge na década de 1890.

  Durante este último período, devido principalmente à falta de transporte e mão de obra, a expansão brasileira desacelerou consideravelmente. Enquanto isso, o movimento ascendente dos preços incentivaram o crescimento do cultivo de café em outras regiões produtoras nas Américas, como Guatemala, México, El Salvador e Colômbia.
 
Na Colômbia, onde o café foi introduzido pelos jesuítas ,bem cedo em 1723, houve contenda civil e à inacessibilidade das melhores regiões cafeicultoras tinham impedido o crescimento de uma indústria de café. Após a "Guerra Mil Dias" de 1899 a 1903, a nova paz viu os colombianos e se voltam para o café como sua salvação. 

  Enquanto as plantações maiores, ou fazendas, dominam as regiões superiores do rio Magdalena de Cundinamarca e Tolima, camponeses determinados apostaram em novos plantios nas regiões montanhosas a oeste, em Antioquia e Caldas. 

  Novas ferrovias, 
contando com o lucro do café ,
 produzindo mais sementes de café
 a serem cultivados e transportados. 
 
 A abertura do Canal do Panamá em 1914 com  as exportações autorizadas da costa do Pacífico da Colômbia anteriormente inacessível, deu condições ao porto de Buenaventura assumindo uma importância crescente.
 
Em 1905, a Colômbia exportou quinhentos mil sacas de café, em 1915 as exportações dobraram. Enquanto o Brasil tentava desesperadamente controlar seu excesso de produção, o café colombiano tornou-se cada vez mais popular entre os consumidores americanos e europeus. 

  Em 1914, o Brasil forneceu três quartos das importações norte-americanas com 5,6 milhões de sacas, mas em 1919 esse número tinha caído para 4,3 milhões, enquanto a participação da Colômbia subiu de 687.000 para 915.000 sacas. 

 Durante o mesmo período
as exportações centro-americanos para os EUA
subiram de 302.000 para 1,2 milhões de sacas.
 
Apesar da turbulência política, agitação social e as vicissitudes econômicas, o século 20 viu um aumento essencialmente contínuo da demanda por café. O consumo nos EUA continuou a crescer atingindo um pico em 1946, quando o consumo anual per capita foi de 19,8 quilos, o dobro do de 1900.  

Especialmente durante os períodos de alta dos preços globais, essa demanda cada vez maior leva a uma expansão da produção em todas as regiões de cultivo de café do mundo.

 Com o processo de descolonização que começou nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial, muitos países recém-independentes de África, nomeadamente Uganda, Quénia, Ruanda e Burundi, encontraram-se em diferentes graus dependente das receitas de exportação de café.
Para os bebedores de café dos Estados Unidos,a  mais chuvosa cidade do país, Seattle, tornou-se sinônimo de um novo tipo de cultura do café, que, desde o seu nascimento na década de 1970, varreu o continente, melhorando drasticamente a qualidade geral da bebida. 

  Esta boa nova encontrada 'evangelismo' para o café se espalhou para o resto do mundo, mesmo em países com grandes próprias tradições de café 
, como a Itália, Alemanha e Escandinávia, acrescentando novos 'convertidos ' para os prazeres do bom café. 

 Hoje
é possível
encontrar um bom café
 em todas as grandes cidades do mundo,
de Londres a Sydney até Tóquio,
estamos bebendo mais e,
 mais importante,
o melhor café.
 
A importância do café 
para a economia mundial não é exagerada. 
 
 É um dos mais valiosos produtos primários no comércio mundial, em muitos anos, segundo em valor apenas ao petróleo como fonte de divisas para os países produtores. Seu cultivo, processamento, comércio, transporte e comercialização proporcionam emprego para centenas de milhões de pessoas em todo o mundo. 

  O café
é crucial para a economia e política
de muitos países em desenvolvimento,
pois muitos dos países menos desenvolvidos do mundo,
as exportações de café contam com mais de 50 por cento
 das suas receitas em divisas. 
 O café é uma commodity negociada nos mercados das principais bolsas de mercadorias futuras e, a mais importante em Londres e Nova York.

 

Pablo Picasso 
Fonte:
Organização Internacional do Café, 
 22 Berners Street, London, W1T 3DD, da Inglaterra.
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