A estação das chuvas começa com as primeiras chuvas em setembro. Este é o momento do início da curta floração do café. O período de floração se divide em pré, principal e pós-florada.
Na pré-florada, em torno de fim de setembro / início de outubro, as flores já estão formadas, mas ainda fechadas.
Nesse estágio, as flores ainda são branco-esverdeadas. Quando caem as primeiras fortes chuvas tropicais e a água penetra 20 a 30 cm na terra, abrem-se os primeiros botões, assim que o sol reaparece por um período mais longo.
As flores alvíssimas só florescem por um dia: Abrem-se com os primeiros raios do sol matinal e ao pôr do sol, murcham, ficando marrons.
As flores que não abriram no primeiro dia irão desabrochar no dia seguinte, ou seja, em dois dias, toda essa maravilha branca passou. Como, porém, nem todos os cafezais florescem no mesmo dia, a época de florada se estende por 3 a 4 semanas.
O café arábica tem 44 cromossomos, diferentemente do café robusta que tem apenas 22 cromossomos. Isso é “meio maluco”, quando se considera que o ser humano também possui somente 46 cromossomos! Devido a isso, a planta do arábica é muito mais complexa do que a do canephora (robusta, ou conilon) e tem um aroma mais refinado.
Devido a este aspecto especial do café arábica a sua flor não necessita de insetos para ser polinizada: Ela é autofecundadora! Bastam 2,5 milhões de polens para fecundar as 30.000 - 40.000 flores de um pé.
Grande parte das flores do café arábica é, portanto, fecundada através do vento. É importante que chova muito pouco de dia neste período e que sopre uma brisa leve; daí a polinização acontece praticamente por conta própria.
Como as abelhas podem complementar a polinização das flores, os cafeicultores e os apicultores trabalham em conjunto numa situação de ganha-ganha ('win-win'): Antes da floração do café, os enxames de abelhas são transportados nas suas caixas para perto dos cafezais.
Segundo Paulo Marcio, isso aumenta, por um lado, a produção dos cafeeiros e, por outro,permite ao apicultor a produção de mel cremoso,caramelizado, delicioso da flor do café, que tem sabor aromático e leve perfume de jasmim.
Ao nascer do sol, as abelhas do café já trabalham a todo vapor. É maravilhoso ouvir o zunir das abelhas e observar o seu incansável ir e vir – um verdadeiro show-macro!
Portanto, foi encantador andar com a câmera no meio desses pequenos produtores de mel, ocupados unicamente consigo e com a sua coleta de pólen.
Embalagens comestíveis são o futuro do descarte consciente
Em
um mundo cada vez mais preocupado com o descarte consciente de
resíduos, um projeto tem assumido a vanguarda das tecnologias para
redução de lixo: as embalagens comestíveis. Resistentes e capazes de
proteger os alimentos que embalam, esses novos materiais podem ser o
futuro dos produtos biodegradáveis.
Desenvolvidas com o objetivo de substituir pelo menos parcialmente as
embalagens convencionais de plástico, as embalagens comestíveis têm
muitas vantagens. A principal seria seu papel ecológico: caso o
consumidor se alimente do invólucro que protege a comida em si, não
haverá resíduos para a natureza. E mesmo que essa embalagem não seja
consumida, suas características biodegradáveis tornam mais fácil sua
deterioração no ambiente.
Filmes comestíveis
Henriette Azeredo,
engenheira de alimentos, comanda uma série de pesquisas sobre essa
alternativa às embalagens convencionais. Atualmente, Henriette
desenvolve uma pesquisa no Institute of Food Research,
em Norwich, Reino Unido, em que pretende desenvolver filmes com base em
resíduos de trigo e banana. Ela também deixou vários projetos
concluídos e em andamento no Brasil.
"Nós prospectamos materiais promissores (geralmente polissacarídeos ou
proteínas) e testamos várias formulações", explica Henriette. A partir
dessas formulações, o próximo passo é avaliar as propriedades mecânicas,
tais como resistência e flexibilidade, a aparência, que consiste
principalmente em observar se o filme é transparente, e se o material é
capaz de barrar água, vapor e impurezas que possam prejudicar o alimento
embalado. Os resultados são comparados a fim de encontrar uma
matéria-prima ideal para prosseguir com o projeto.
Apesar de alguns resultados serem promissores, ainda não há previsão
para as embalagens comestíveis serem introduzidas no mercado. Depois de
desenvolver os materiais no laboratório, seria necessário o interesse de
uma empresa em fazer parceria com a pesquisa para tentar introduzir
esse novo tipo de embalagem no mercado. Só então poderia ser realizado
um estudo de viabilidade técnica e econômica para esse tipo de
tecnologia. Porém, a pesquisadora já adianta que tal empreitada pode
sair mais caro do que o normal. "Embora não tenhamos estudos de
viabilidade econômica, sabemos que os biomateriais ainda são mais caros
que os polímeros convencionais usados para embalagem", explica.
Ainda que as dificuldades econômicas sejam reais, a possibilidade de
embalagens comestíveis pode significar um novo tipo de experiência
gastronômica. Entre os alimentos que poderão ser embalados com filmes
comestíveis, estão frutas frescas ou processadas, doces e queijos.
Considerando ainda que a maior parte dos filmes desenvolvidos são
insípidos (sem sabor), alguns que estão sendo feitos a partir de polpa
de frutas podem conferir um sabor novo para alimentos conhecidos.
"A embalagem vai fazer parte do conjunto do sabor. Por exemplo, filmes
com sabor de frutas poderiam ser usados para embalar chocolates, e o
consumidor comeria um bombom com sabor de chocolate e de fruta", explica
a especialista. Entre os "sabores" de embalagens pesquisados, estão os
de manga e de acerola.
Nanofilme
Outra pesquisa vem sendo desenvolvida paralelamente por um grupo de
cientistas brasileiros e portugueses no Departamento de Bioquímica da Universidade Federal de Pernambuco
(UFPE). O objetivo desse projeto é a criação de nanofilmes. Assim como
na pesquisa de Henriette, um filme biodegradável e comestível envolverá
os alimentos. Porém, nesse caso o filme será extremamente fino,
invisível e insípido.
Sua função seria prolongar a vida útil de frutas, legumes, pescados,
carnes, entre outros. O filme não causará danos ao organismo, tendo
poucas calorias e podendo ser consumido inclusive por diabéticos. Esse
projeto ainda está em fase de testes, mas é economicamente viável e está
apresentando bons resultados.
Como a tecnologia ainda está sendo desenvolvida e não tem previsão de
ser produzida em escala industrial, as empresas responsáveis pelo
controle de embalagens no Brasil ainda não tem opinião formada sobre as
pesquisas. "Esses estudos são muito recentes, e não temos ainda o que
dizer sobre elas. Porém, incentivamos todo tipo de pesquisa que pode
melhorar as embalagens de alimentos", explica Sidnei Stoiev, membro da
equipe do Associação Brasileira de Embalagem (Abre).
Stoiev ainda declara que, quando as embalagens comestíveis entrarem no mercado, será a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] a responsável por garantir a qualidade e durabilidade desses novos materiais.
Comestível x Biodegradável
Os produtos biodegradáveis são todos aqueles cujas propriedades
facilitam sua reabsorção no meio ambiente -- são facilmente deteriorados
por bactérias comuns, poluindo menos e sumindo em pouco tempo. Nem
sempre, porém, esses produtos podem ser consumidos sem danos por
humanos.
As embalagens comestíveis também são biodegradáveis, mas podem ser
consumidas como alimento por humanos. Dessa forma, são duplamente
ecológicas: se servirem de alimento, não gerarão resíduos; se forem
descartados, em poucos meses terão se deteriorado, sem deixar vestígios
no meio ambiente.