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расскажу, как сделать бутылкорез 2.0 и продемонстрирую несколько
приемов применения термоусадочных свойств веревки из пластиковой
бутылки.
Tradução Google BUTYLKOREZversão2.0Aplicaçãodo cabofora da garrafa AdvogadoEgorov AdvogadoEgorov·40 vídeos
Publicado em2014/11/06
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Abelhas podem aumentar a produtividade na agricultura, dizem especialistas
Segundo analistas e estudiosos no
assunto, os apicultores recebem pólen e mel das abelhas. Ao mesmo tempo,
a polinização poderia render colheitas lucrativas para os agricultores.
A prestação de serviço com abelhas para polinização ainda é incipiente
na Europa.
Aa abelhas podem aumentar a produtividade na agricultura,
dizem especialistas no assunto.
As reclamações de apicultores, ambientalistas e pesquisadores sobre o sumiço em
massa das abelhas e o temor pela perda de espécies de frutas e legumes
que não seriam mais polinizados parece, inicialmente, paradoxal. Pois,
ao mesmo tempo, no mundo inteiro, a população de abelhas produtoras de
mel cresceu cerca de 7% nos últimos anos.
Segundo o
biólogo Peter Rosenkranz, da Universidade de Hohenheim (sul da
Alemanha), a razão desse crescimento é o aumento do número de
apicultores. Em “95% das colmeias pertence à apicultura”, conta. Dessa maneira, os apicultores podem determinar quantas abelhas estão livres para voar sobre gramados e campos.
Em
contrapartida, eles precisam conviver com grandes perdas todos os anos,
pois muitos desses insetos voltam debilitados devido a produtos químicos
e ao parasita conhecido como Varroa Destructor. E,
no inverno, uma grande quantidade desses insetos morre. Em determinados
anos, essa taxa chega a 30% da população total. Na primavera, ela
precisa der substituída.
Apicultores alertam sobre o sumiço de abelhas
A quantidade
populacional nas espécies selvagens também é um grande problema. Somente
na Alemanha, existem mais de 500 espécies selvagens, entre elas estão
também os zangões (conhecidos também como mamangabas em países como
Brasil e Portugal). Principalmente em regiões de atividade agrícola
intensa, onde são usadas grandes quantidades de pesticidas, quase não há
mais abelhas.
Lucro para todos
Com apolinização das
plantas pelas abelhas, os apicultores recebem pólen e mel. Ao mesmo
tempo, o processo rende colheitas lucrativas para os agricultores.
Segundo Rosekranz, essa é uma situação onde todos lucram, mas ainda há
“um potencial inexplorado para aumentar a produtividade” sem o uso de
pesticidas ou adubo, ou seja, “sem poluir o meio ambiente.” Para isso,
são necessárias mais abelhas.
E justamente esse é o objeto de pesquisadores que publicaram recentemente um artigo na revista científica Plos One.Eles
reivindicam mais desses insetos nas plantações destinadas à produção de
biocombustíveis, ou seja, de milho, de girassol e de colza.
Para
Rosenkranz, essa medida seria bastante útil. A produtividade de colza
pode ser incrementada entre 30 e 40 %, “quando colmeias são formadas
seguindo um plano determinado.” Ou seja, os agricultores deveriam
comprar de apicultores a quantidade de abelhas que necessitam para
polinizar o campo.
Os insetos
ficam encarregados do resto. A polinização como prestação de serviço é
uma tendência que está começando na Europa, afirma o biólogo. Em outros
países, como Estados Unidos ou China, essa prática já é conhecida há
vários anos.
Mel e biocombustível
Nesse
processo, a principal questão é o tipo de plantação onde se deve usar as
populações de abelhas para polinização. Um bom mel é produzido a partir
de colza ou girassol. Mas milho “não é uma planta particularmente
desejada pelas abelhas”, conta Rosenkranz. Assim, os apicultores também
não ganham dinheiro com esse cereal.
Abelhas são ótimas “prestadoras de serviço”
Por isso,
eles defendem que as plantas escolhidas para a produção de
biocombustíveis sejam também “uma fonte de alimento para insetos
polinizadores e interessantes para a apicultura”.
Segundo o
especialista, existem alternativas. Teoricamente, é possível plantar
flores entre as plantações de cereais destinadas à produção de
combustível. Mas essa opção diminuiria entre 30 e 40% a produtividade.
Porém, em vez da monocultura, o campo teria mais variedade de espécies e
por isso ficaria mais saudável para as abelhas.
Entretanto,
para Rosenkranz, os agricultores não veem a variação de espécies como
algo positivo. Segundo ele, é difícil convencê-los a desistir de 5 até
10% dos seus lucros em favor de um campo ecológico florido.
Pesquisadores
do Centro Tecnológico Agrícola Augustenberg, em Karlsruhe (LTZ, da
sigla em alemão), testam diversas combinações de flores. Por um lado,
para ter um significado ecológico, elas precisam ser atraentes para as
abelhas. Por outro, para uma maior produtividade, devem poder ser
utilizadas na produção de energia. DW.DE
Permitida a reprodução desde que mantida a formatação original e mencione as fontes.
ilha Paradisíaca1 Medieval Significances of the Apple:
Forbidden Fruit, Source of the kwowledge, Paradisiac Island
Adriana Zierer (Uema)
Resumo: Neste artigo procuramos analisar algumas das simbologias da maçã. Apesar de outros frutos estarem associados ao pecado original, como o figo e a uva, a maçã a partir do século XIII passou a ser a principal representação da transgressão de Adão e Eva no Éden. A ingestão do fruto proibido significou a possibilidade de atingir o conhecimento através do livre-arbítrio, mas também levou ao sofrimento (a expulsão do local divino, a necessidade do trabalho e as dores no parto). Em outras culturas, como a germânica, para obter a sabedoria o deus Wotan abdicou da visão de um dos olhos e ficou nove dias pendurado na árvore Yggdrasil sem comer ou beber. A maçã também está ligada ao simbolismo da árvore, eixo do mundo, associada à cruz e a Cristo. Como se acreditava que o conhecimento vinha do alto, uma metáfora era a arbor inversa, cujas raízes estão no céu, sendo Cristo o mais belo fruto enviado pelo céu (Deus) à terra (Maria).
Outro simbolismo da maçã é a de Insula Pomorum, reino do Outro Mundo repleto de abundância e prazeres, descrito por Geoffrey de Monmouth no século XII como local onde ao vez de grama o solo é coberto por maçãs. Na mitologia céltica, esta fruta simboliza a magia, a imortalidade e o conhecimento. Para os medievais era confortante o sentido da maçã como Ilha dos Bem-aventurados, possibilitando o acesso dos indivíduos num mundo
1 A idéia de escrever este artigo foi inspirada pela conferência do medievalista Hilário Franco Jr. realizada em 1999 no III EIEM (Encontro Internacional de Estudos Medievais), intitulada Entre o figo e a maçã: hesitações medievais quanto à concepção do fruto proibido e devido à recorrência da maçã nas fontes que pesquiso atualmente. Esta fruta também evoca o simbolismo da árvore, fundamental para as culturas céltica e germânica, as quais venho pesquisando atualmente através do BRATHAIR - Grupo de Estudos Celtas e Germânicos, cuja formação iniciou-se durante o III EIEM (evento organizado pela ABREM - Associação Brasileira de Estudos Medievais).
Semelhante ao paraíso e que se localizava paralelamente ao mundo terreno. Já segundo à Igreja, só depois da morte e da passagem pelo purgatório, os indivíduos purificados poderiam aspirar à felicidade eterna.
Lucas Cranach, o Velho, Adão e Eva (1531). Staatliche Museen, Berlim
No quadro acima, aparece a tradicional visão da maçã como símbolo do pecado original. Lucas Cranach, o Velho (1472-1553) nascido em Kronach, sul da Alemanha, adotou a mesma profissão do pai e foi um dos expoentes do renascimento alemão. Pintor da corte da Saxônia até 1550 e prefeito de Wittenberg em 1537, fez várias pinturas de Adão e Eva no Éden, da criação de Eva à Queda e expulsão.
Seus quadros davam grande importância à paisagem, que deixa de ser uma imagem fixa (SCHNEIDER, 1997). Cranach foi influenciado por Dürer (1471-1528), que pretendia chegar ao conhecimento das normas que regem a beleza do corpo humano e investigar as leis da perspectiva (LOPERA, 1995: 49). Cranach dedicou-se além disso ao retrato e é considerado um pintor da reforma protestante por haver feito reproduções pictóricas de seus líderes, como Lutero e o duque Henrique da Saxônia. Também produziu várias cenas religiosas que ilustram a primeira edição do Novo Testamento, traduzido por Lutero em 1522.
8. Dürer. Adão e Eva ou a Queda do homem. Gravura, 1504. Assim como Dürer, Cranach valorizou o nu, através de cenas mitológicas e religiosas com traços sensuais. Sua representação do primeiro casal humano segue a visão cristã medieval a respeito do pecado original.
Na imagem, Eva está próxima da serpente, o que a liga ao mal. A atitude de Eva é delicadamente dissimulada, pois ela oferece uma maçã a Adão e oculta atrás de si outra maçã. O ato de esconder sugere ao espectador uma intenção claramente maliciosa por parte de Eva. Quanto a Adão, o fato de olhar para a mulher e não para o fruto mostra que ele o aceita por estar seduzido: a postura de seu corpo, suas mãos segurando a maçã, mas principalmente seus olhos expressam o feitiço feminino agindo sobre o homem. Eva é a culpada pelo pecado.
Os animais estão na cena como coadjuvantes à espreita. A serpente, símbolo cristão maléfico por excelência, é a portadora da língua que levou Eva a desobedecer o Criador. Por entre os arbustos, aparecem ainda um cervo e um leão. A presença destes dois animais na cena representa a harmonia presente no Éden, que possibilitava o convívio pacífico entre um predador – o leão e sua presa – o cervo.
O cervo que se encontra próximo de Adão tem uma analogia com a árvore da vida. Sua galhada é um símbolo de renovação cíclica, pois renova-se a cada ano. Ele é um portador da luz, inimigo da serpente e representa Cristo (Cristo por sua vez é o segundo Adão, que vem ao mundo redimir as faltas do primeiro).
O leão simboliza a encarnação do poder. É o animal mais representado na heráldica por estar associado ao valor e à força. No século V d.C., o historiador latino Macrobius sugeriu que a imagem do leão denotava o presente, forte e ardoroso (MANGUEL, 2001: 74). Por sua vez, Na Primeira Epístola de Pedro, o leão aparece como o símbolo do diabo: "vosso adversário, o diabo, vos rodeia como um predador a rugir, procurando a quem devorar". (A Bíblia de Jerusalém, 1995, 1 Pd 5,8: 2276).
A simples presença dos animais nesta pintura não é suficiente para explicar seu sentido, sendo incorreta a associação Adão/cervo/bem e Eva/leão/mal. Há uma outra representação do primeiro casal humano e destes animais na mesma posição feita por Cranach (1528, Galeria degli Uffizzi, Florença) e ainda uma terceira de 1533 com a posição invertida dos animais, isto é, o leão ao lado de Adão e o cervo próximo de Eva (Museum der Bildenden, Kunste, Leipzig). Por isso, penso que a possível escolha destes animais pelo artista junto à representação de Adão e Eva indica essencialmente um fator de equilíbrio entre um animal feroz e um manso num ambiente paradisíaco.
Volto agora a preocupação principal deste artigo: a simbologia da maçã. As línguas européias e também indo-européias usam uma palavra com a raiz de ap, ab, af ou av para maçãs ou macieira: aballo (céltica), apple (inglês), apfel (germânico), abhal (gaélico irlandês), afal (galês), iablokaa (russo) e jablko (polonês). Com relação a pomme, o termo francês vem do latim pomum, que se referia originalmente a todas as frutas (Etymologically). Em latim as palavras mal e maçã, malum, são escritas da mesma forma, sendo a originárias do grego, mélon.
A fruta possui um sentido ambíguo durante a Idade Média. De um lado foi identificada como aquela que causou o pecado original. Porém, também pode ter um significado positivo, pois desde o século XI a maçã nas mãos do menino Jesus e na de Maria significa uma referência à absolvição do pecado e à vida eterna (LURKER, 1997: 405).
Lucas Cranach, O Velho. A Virgem e o Menino (1525-1530). Eremitério de São Petersburgo, Rússia.
Nesta imagem, também pintada por Lucas Cranach, Cristo menino segura em suas mãos pão e maçã. A maçã simboliza o pecado original, já o pão (corpo de Cristo), a redenção. A Virgem é considerada a segunda Eva, redimindo o pecado da primeira. É possível ver nas duas pinturas, portanto, primeiro um sentido negativo da maçã, o do pecado, e em seguida um sentido positivo, o da salvação. Meu objetivo neste artigo é justamente mostrar o significado múltiplo desta fruta durante a Idade Média.
É importante ressaltar que a maçã é proveniente de uma árvore, elemento simbólico em várias culturas. Devido ao fato de suas raízes mergulharem no solo e seus galhos voltaram-se ao céu, é considerada como representante das relações entre a terra (o microcosmo) e o céu (macrocosmo). Tem o sentido de centro, e sua forma vertical faz a árvore do mundo ter sinônimo de Eixo do Mundo (CHEVALIER & GHEERBRANT, 1995: 84), e está também relacionada à cruz da redenção, que na iconografia cristã é representada como a árvore da vida (CIRLOT, 1984: 99).
Sua verticalidade também liga-se à ideia de escada ou montanha. Vários deuses da mitologia grega são associados a árvores: Júpiter (azinheira), Baco (videira), Apolo (louro). No Apocalipse, a árvore da vida frutifica doze vezes, dando um fruto a cada mês (A Bíblia de Jerusalém, 1995, Ap 22,2: 2328), um símbolo de renovação cíclica.
Outro significado para o vegetal era a arbor inversa (árvore inversa) cujas raízes estavam no céu e os ramos na terra, simbolizando a fé e o conhecimento, e representando Cristo (GUREVITCH, 1990: 79). Como pensava-se que a vida era extraída do alto e depois penetrava na terra, Cristo era tido como o mais belo fruto feito pelo céu (Deus) na terra (Maria) (LURKER, 1997: 282). Na Bíblia existe menção a duas árvores, a árvore da vida, que confere a imortalidade e a árvore do conhecimento ou do bem ou do mal. Para os germanos, a árvore da vida era o freixo Yggdrasil, com três raízes: no Asgard, viviam os deuses, em Jotunheim, os gigantes e em Nifheim, os mortos. Neste último local um monstro se abastecia dos cadáveres e mordia a própria Yggdrasil. As raízes do Asgard eram regadas pelas Norns, deusas do destino. Os primeiros humanos, Ask e Embla, também eram originários de uma árvore (o freixo) segundo a mitologia germânica, tendo recebido a vida através dos deuses.
A sabedoria representada pela árvore também provém do sofrimento. Deus disse a Adão que se comesse da árvore do conhecimento iria morrer (Gn 2, o que significava que ao adquirirem a capacidade de discernimento, os humanos passariam a ter uma vida de atribulações. Assim, Adão e Eva comeram do fruto proibido e adquiriram o livre-arbítrio por seus atos, mas perderam a imortalidade e foram expulsos do Éden, passando a enfrentar vários tormentos, como a necessidade do trabalho para a obtenção do seu sustento “com o suor do rosto” e as dores enfrentadas pela mulher no parto (Gn 3, 16-19).
Na mitologia germânica, Wotan (ou Odin, deus dos mortos, da guerra, da magia rúnica e da poesia) pagou com um dos seus olhos para beber a poção do conhecimento da fonte de Yggdrasil (LURKER, 1993: 154). Também ficou nove dias pendurado na árvore da vida sem comer ou beber para obter conhecimento e ao sair de lá era capaz de curar os doentes, cegar a espada dos inimigos e pegar um flecha em pleno voo.
Outro símbolo associado à árvore e também à maçã é o coração, órgão central do corpo humano e simbolicamente centro do homem e do mundo (LURKER, 1997: 152). Para Santo Agostinho o coração é o recipiente do amor divino e os homens devem procurar o conhecimento através do amor.
O coração é o rei do corpo, pois sem ele não há vida. Pode-se por isso fazer uma analogia entre o coração e o monarca, considerado na Idade Média essencial para o bom funcionamento da sociedade. Daí o dito: “o rei morreu, viva o rei”. A monarquia era considerada neste período como forma ideal de governo (LE GOFF, 1999: 356-359) e havia várias teorias afirmando que os súditos deveriam obedecer ao soberano, mesmo se ele não fosse bom. São Tomás de Aquino, por exemplo, em Sobre o Governo dos Príncipes, afirmava que mesmo se o rei fosse um tirano, a população deveria rezar para que ele se tornasse bom: “em seu poder [de Deus] está converter à mansidão o coração cruel do tirano” (COSTA, 2000: 115). Na mitologia grega, a maçã ocupa um papel importante. Pode ser um elemento desagregador, como o pomo da discórdia atirado pela deusa Éris, com a inscrição “à mais bela”, que levou à disputa entre as deusas e conseqüentemente à Guerra de Tróia. Afrodite prometeu a Páris dar-lhe o amor da mais bela mortal se ele entregasse a esta deusa o pomo. Como cumprimento da promessa da deusa, Helena, casada com o troiano Menelau foi raptada por Páris, dando início ao conflito entre gregos e troianos que durou dez anos (GRIMAL, 2000: 355-356; COTTERELL, 1997: 68-69). O pomo também pode significar um atributo dos deuses como as maçãs de ouro do Jardim das Hésperides, originalmente um reino do Além (LURKER, 1997: 15) guardado por um dragão. As maçãs simbolizam a imortalidade e tinham sido presentes de casamento recebidos por Zeus e Hera. Mesmo quando Hércules conseguiu pegar alguns pomos como parte de seus Doze
Lucas Cranach, o Velho, Adão e Eva (1531). Staatliche Museen, Berlim
Trabalhos, estes foram devolvidos ao jardim dos deuses por representarem um atributo deles.
A maçã de ouro também foi um elemento positivo para garantir a união entre Hipômenes e Atalanta. O jovem jogou três frutos durante uma disputa com Atalanta; se vencesse a corrida casaria-se com ela, se perdesse, seria morto. Graças aos pomos dourados, que distraíram a atenção da moça, o jovem venceu a donzela e as bodas se realizaram.
Para os povos germânicos, a maçã também significa a imortalidade, representada pela deusa Idun (a rejuvenescedora). Ela guardava uma maçã numa taça e quando os deuses ficavam velhos mordiam a maçã e encontravam a juventude (GUREVITCH, 1990: 119). Numa ocasião, porém, a deusa e seus pomos de ouro foram raptados por um gigante, o que deu início ao envelhecimento dos deuses do Asgard. Com o resgate de Idun pelo deus Loki, todos readquiriram a juventude (LURKER, 1993: 97).
Durante o período medieval, outras frutas também foram associadas ao pecado original, como a uva e o figo. A figueira na Grécia era consagrada à Atena e seus frutos sagrados não podiam ser exportados. Em Roma possuía um sentido erótico e era associada a Príapo. Na Bíblia, após comerem o fruto proibido, Adão e Eva descobriram que estavam nus e cobriram-se com folhas de figueira (Gn 3,7).
O figo está relacionado ao fígado, principal órgão dos sentidos para os gregos, sendo a figueira usualmente considerada local de contemplação. Por isso, ao transgredir o decreto dos deuses e fornecer o fogo aos homens, Prometeu foi condenado a ter seu fígado eternamente comido pela águia (animal ligado aos deuses), podendo-se estabelecer um paralelo entre a transgressão de Adão na cultura judaico-cristã e a de Prometeu na greco-romana, pois ambos teriam simbolicamente roubado a sabedoria do mundo divino (FRANCO JR., 1996:57). O figo também aparecia em representações de bacanais, e o seu interior assemelha-se ao órgão sexual feminino.
A uva era outra fruta associada à transgressão de Adão e Eva, relacionando-se à fertilidade e ao sacrifício (CIRLOT, 1984: 590). Seu significado está ligado ao sangue e, por isso, à Paixão de Cristo. Para os medievais, a ato de comer era sagrado e indiretamente ao beber o vinho e comer a hóstia comiam Deus, morto para redimi-los do pecado.
A partir do século XIII, a maçã passou a ocupar o principal lugar como fruto proibido.
A uva era uma fruta em grande abundância em várias regiões europeias e daí a substituição pela maçã por motivos econômicos. Um exemplo da relevância da vinha é sua constante representação nos calendários,associada às atividades agrícolas, estampada nos meses de abril (poda da vinha), setembro (colheita) e outubro (preparação do vinho).
Entre as populações de origem céltica, a maçã representa o conhecimento, a revelação e a magia. Existem vários relatos referentes às viagens célticas ao Além, os imrama, nos quais um herói é atraído por uma fada, que lhe entrega um ramo de maçã e o convida para ir para o Outro Mundo, como em A Viagem de Bran, Filho de Febal. Num outro imrama, A Viagem de Maelduin, que trata da busca do herói pelos assassinos de seu pai, ele passa por uma ilha onde encontra uma macieira e dela corta um ramo com três maçãs. Estes frutos são capazes de saciar a sua fome e a de seus companheiros por quarenta dias sem ingestão de qualquer outro alimento (MARKALE, 1979: 246).
Numa outra narrativa céltica, Condle, filho de Conn, herói das cem batalhas também é alimentado por maçãs que nunca diminuem sua quantidade (CHEVALIER & GHEERBRANT, 1995: 573). Na mitologia desses povos, a maçã está ligada a um espaço específico: a Ilha dos Bem-Aventurados, local de abundância e imortalidade. Os gregos já imaginavam essas ilhas com um clima ameno e aprazível, cercadas por árvores frutíferas e fontes para onde os heróis eleitos se dirigiam sem sofrer a morte (LURKER, 1997: 337).
Mais tarde, Isidoro de Sevilha deu maiores descrições destas regiões, ressalvando, no entanto, que não correspondiam ao paraíso terrestre, o qual, de acordo com a concepção cristã, localizava-se em algum lugar da terra no Oriente, sendo inacessível aos humanos. Na Baixa Idade Média, o conceito de Ilha Afortunada de Isidoro fundiu-se com a noção da Ilha Céltica de Avalon (DELUMEAU, 1994: 123).
Tal como a árvore, a ilha tem o significado de centro e sua forma circular representa a perfeição. Sua localização isolada e de difícil acesso garante que só os escolhidos podem alcançá-la após uma viagem iniciática, na qual passam por outras ilhas e enfrentam perigos até chegar ao seu destino. Existe uma analogia entre a Terra das Fadas, os reinos utópicos, como o País da Cocanha e o Éden bíblico. Todos estes locais são caracterizados pela abundância, fertilidade e inexistência do trabalho humano. Veremos mais tarde algumas diferenças na passagem dos eleitos por estes locais. Avalon, a Ilha das Maçãs (Insula Pomorum) era, de acordo com as descrições da Vita Merlini de Geoffroy de Monmouth (século XII) uma ilha tão abundante que ao invés de grama o chão era coberto por frutos:
La isla de los Frutos, que llaman Afortunada, bien puesto tiene el nombre, que de todo produce por sí sola. Pues no ha menester esta isla de labriegos que aren sus campos: no hay allí ningún cultivo, todo lo da espontáneamente la naturaleza. (...) De todo da su suelo en extrema abundancia, frutos en lugar de grama. (GEOFFREY DE MONMOUTH, 1994: 32)
Mirabilia 01 Dec 2001/ISSN 1676-5818- 114
A primeira menção latina a esta ilha paradisíaca ocorre em outra obra de Geoffrey, a Historia Regum Britanniae, na qual é nomeada como lugar onde fora forjada a espada Caliburn do rei Artur (GEOFFROY DE MONMOUTH,1993: 208). Também é o local para onde o monarca é levado após a Batalha de Camlan contra Mordred, para curar seus ferimentos, sem que a obra cite se Artur retornará ou não (GEOFFROY DE MONMOUTH, 1993: 258). Em outros relatos ficamos sabendo que lá ele será curado ou ficará em sono profundo até poder retornar um dia.
Avalon era governada por Morgana e suas nove irmãs, que também possuíam o dom da imortalidade. Por isso, Avalon está associada a Caer Siddi (Outro Mundo) ou Annwn, a Terra dos Mortos e da Eterna Juventude. Existia em Caer Siddi uma fonte onde jorrava vinho doce e onde envelhecimento e doença eram desconhecidos (ELLIS, 1992: 25). Entre os seus tesouros havia um caldeirão mágico, tema diretamente ligado à abundância existente na Ilha das Maçãs.
Na mitologia céltica existem dois tipos de caldeirão: o caldeirão do renascimento e o caldeirão da abundância. Dagda, pai de todos os deuses, possuía um caldeirão proveniente da cidade de Múrias. Ao provar dele ninguém passava fome(ELLIS, 1992: 77). Já Matholwch recebera o caldeirão do renascimento do deus Bran e com ele era possível ressuscitar um morto, que no entanto, perdia a capacidade de falar (Mabinogion, 1988: 31).
No poema galês Preiddeu Annwn (Os Despojos do Outro Mundo), composto entre os séculos VIII e IX, o rei Artur e seus companheiros tentam inutilmente buscar numa expedição o caldeirão da abundância, representante da realeza e autoridade (ELLIS, 1992: 26). Segundo o poema contido no Livro de Taliesin: “e quando fomos com Artur (...) exceto sete, ninguém voltou da Fortaleza da Intoxicação (....)” (KOCH, 1995: 290). O Outro Mundo á assim chamado no relato porque lá o vinho com fagulhas era bebida corrente (ELLIS, 1992: 25), o que podia estar ligado à intoxicação. Outros adjetivos usados em relação ao Além Céltico na mesma obra são: Fortaleza do Temor, Fortaleza Oculta e Fortaleza do Divino Lugar. (KOCH, 1995: p. 291).
Havia ainda um terceiro caldeirão entre os celtas, o caldeirão do sacrifício, no qual os maus monarcas eram jogados. É possível observar aqui um sentido totalmente diferente dado à figura régia, que tem principalmente a tarefa de estabilizar a sociedade e que é descartada quando não cumpre bem suas funções. O monarca é mais um “moderador ou distribuidor de riquezas que um detentor de poderes civis e militares”. Representa um garantidor da abundância, sendo o rei que sobrecarrega os súditos de impostos sacrificado, afogado numa tina de cerveja ou hidromel (LE ROUX e GUYONVARC’H,
O tema do caldeirão mais tarde, deu origem ao mito do Graal, inicialmente nas obras de Chrétien de Troyes. Com a sua cristianização em fins do século XII, o conteúdo do cálice passou a ser o sangue de Cristo na cruz. Sangue, conhecimento, alimento.
Em A Demanda do Santo Graal quem provasse do Santo Vaso obtinha satisfação material e espiritual. A revelação, isto é, conhecimento, obtido por Galaaz através do graal deu lugar a tal iluminação que ele ascendeu aos céus junto com os anjos (ZIERER, 1999: 124-125).
É importante ressaltar os desdobramentos da maçã como representante da Ilha Paradisíaca e o destino dos heróis ao empreenderem uma viagem iniciática ao Outro Mundo. No relato céltico A Viagem de Bran, o herói é atraído por uma fada que canta e lhe joga um ramo de maçã. Ele e seus companheiros a seguem, atingindo a Ilha da Mulheres (Tír na mBan). Num período que parece ser de pouco mais de um ano, um dos seus companheiros sente saudades da Irlanda e Bran decide voltar apesar de ser advertido de que muito tempo se passara. Com efeito, ao chegarem à terra natal, um deles se torna pó ao pisar no solo.
Com relação à passagem dos eleitos pelo local paradisíaco, no caso de Bran o herói fica preso. Assim como encontra um espaço de prazeres, imortalidade e abundância, ele também não tem como sair de lá. Com a sua fuga, não consegue retornar nem ao antigo lar, devido ao processo de envelhecimento, nem à Tír na mBan porque acaba por perder-se no meio do mar, vagando no oceano sem reencontrar o País das Fadas.
Num outro relato sobre uma viagem ao Outro Mundo, ainda que não diretamente relacionado à maçã, mas à abundância existente na Ilha das Mulheres, o fabliaux O País da Cocanha, o poeta se lamenta por não conseguir voltar ao lugar utópico após ter saído dali para buscar um amigo (FRANCO JR., 1998: 33-35). Neste caso, o protagonista após a sua aventura, ficou preso no mundo terrestre. Ele consegue retornar ao mundo terreno porque a garantia da eterna juventude na Cocanha era uma fonte ao passo que no País das Fadas, a simples permanência naquele local garantia a juventude, mas sua saída de lá resultava também num envelhecimento imediato de centenas de anos.
Numa terceira narrativa sobre uma viagem ao Além, o Laís de Guingamor, o herói é mais afortunado: consegue retornar ao local paradisíaco. Influenciado pela temática céltica, a aventura principia-se num ambiente cortês, mas leva o cavaleiro a um espaço desconhecido quando ele tenta matar um javali branco. De repente, ao atravessar um rio, ele chega ao Outro Mundo. Passado um tempo de prazeres, resolve voltar para cumprir sua missão como nobre e entregar o animal caçado apesar de as fadas lhe avisarem que no mundo terreno já havia transcorrido trezentos anos (FRANCO JR., 1996: 126-127).
Guingamor retorna ao seu mundo, depois de ser advertido que nada poderia comer ali, fato que ele esquece e acaba por ingerir três maçãs. Em seguida sente-se muito enfraquecido e quase morre, sendo resgatado pelos seres do Outro Mundo que o levam de volta. Mais uma vez aparece numa narrativa o teor da maçã como fruto do conhecimento, ao comê-la o corpo do cavaleiro toma ciência do prolongado período que havia se passado. Da mesma forma que o ocorrido com Adão e Eva, ao comer o fruto proibido o herói perdera a imortalidade.
Guingamor apesar de ter comido três maçãs e quase morrer, tem um destino feliz, as fadas voltam para buscá-lo talvez porque o alimento por ele ingerido na terra dos mortais fossem maçãs, fruto diretamente associado ao Outro Mundo. Já o poeta da Cocanha ficou preso no espaço terrestre e Bran perdido no mar, sem conseguir retornar nem ao mundo terreno nem ao Além. O tema da ilha paradisíaca foi depois cristianizado. O eleito, agora um monge, consegue cumprir a sua missão e retornar ao mundo dos humanos, para logo depois morrer e atingir o paraíso (ZIERER, 2001: 41-51). Em lugar da Ilha dos Bem-Aventurados, desenvolve-se a trama do monge que atinge o paraíso terreal com o auxílio de uma mulher, como, por exemplo, Santo Amaro, numa versão portuguesa quatrocentista de A Viagem de São Brandão. Após uma viagem de sete anos e de vagar por diversas ilhas, o santo consegue chegar a uma ilha de onde recebe de uma religiosa, Valides, a indicação para atingir o paraíso terreal. Aqui é possível ver uma conotação positiva da figura feminina, associada à Virgem Maria. Em várias outras representações, porém, a mulher era associada à Eva, considerada a causadora da expulsão do Éden, e relacionada ao fruto proibido e à serpente, conforme mostrei na pintura de Adão e Eva de Lucas Cranach.
O santo não consegue penetrar no paraíso terrestre, mas visualiza o seu interior, tendo a possibilidade de trazer um pouco da terra deste local, com a qual funda uma nova e próspera cidade. Santo Amaro volta ao mundo humano, mas unicamente com a função de contar as maravilhas do que presenciara e logo depois morrer para retornar ao paraíso. Dentre as descrições do paraíso terreal ele vê uma macieira (A Vida de Sancto Amaro, 1901: 517).
Destaca-se também o fato de durante todo o período da viagem os alimentos que Santo Amaro recebe são enviados do céu por Deus, podendo-se fazer uma relação entre a maçã céltica que saciava e nunca se esgotava e os alimentos provenientes do Criador que alimentaram Amaro e seus companheiros por sete anos.
Mirabilia 01 Dec 2001/ISSN 1676-5818 117 A propósito da temporalidade do Outro Mundo representada pela Insula Pomorum, é interessante observar que a passagem do tempo não é percebida pelos humanos que para lá vão, como pode ser visto nos relatos sobre Bran, Guingamor e Santo Amaro. Ao passo que na concepção cristã, o tempo dos castigos, passado no purgatório ou no inferno, é o triplo do tempo terrestre (LE GOFF, 1993). Por isso, ressalto que mesmo para os medievais (e para nós também) o tempo dos prazeres é fugaz e o dos tormentos muito longo.
Conclusão Como demonstrei, no período medieval a maçã possui um sentido multifacetado. Fruto proibido, levou os homens ao sofrimento e ao conhecimento, que segundo Santo Agostinho, deveria ser obtido através do amor. Para os homens da Igreja, a sapientia era uma prerrogativa deles, na medida em que, por estarem afastados do ato sexual, eram mais puros e totalmente voltados a Deus. Vistos como os intérpretes da palavra sagrada e da verdade, os oratores consideravam que sua proximidade com o mundo divino os autorizava a controlar o resto da sociedade, procurando assim estabelecer normas que garantissem aos vivos a futura entrada no paraíso.
Porém, os relatos medievais apresentavam outros tipos de paraíso e outras vias, como as seguidas por Bran, Guingamor ou pelo poeta da Cocanha.
A maçã também possui um significado curioso com relação à figura feminina.
De um lado representa o mal e o pecado, através da ingestão do fruto proibido por Eva, que levou os medievos ao desprezo e à desconfiança com relação aos seres deste sexo. As mulheres eram usualmente vistas como mentirosas, tentadas ao adultério e inclinadas à luxúria e ao demônio. A salvadora dessas mulheres seria Maria, a virgem escolhida pelo Criador para gerar um homem perfeito, Jesus, o filho de Deus, que sacrificou-se para redimir os pecados da humanidade. Próxima ao modelo de Maria estava Valides, capaz de, através de sua pureza, indicar a um eleito de Deus, Santo Amaro, o caminho do paraíso terreal.
Uma outra imagem feminina era a das fadas, mulheres que habitavam a Insula Pomorum, e que competiam no plano simbólico com a Igreja com relação ao domínio do sagrado, pois, segundo as narrativas, possuíam a sabedoria, o dom da cura e da imortalidade.
O sentido da maçã como representante da Ilha Paradisíaca levou muitos a sonharem com a terra da abundância, da imortalidade e felicidade, que poderia ser encontrada num mundo paralelo em algum lugar misterioso: uma ilha no meio do oceano, um lugar na floresta. Para o clero, no entanto, só depois da morte e da passagem pelo purgatório, os indivíduos purificados poderiam aspirar à felicidade eterna.
***
Fontes A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 1995. GEOFFREY DE MONMOUTH. Vida de Merlin (trad. Lois Pérez Castro). Madrid: Siruela, 1986. GEOFFROY DE MONMOUTH. Historia Regum Britanniae (Histoire des Rois de Bretagne). (traduite et comenté par Laurence Mathey-Maille). Paris: Les Belles Lettres, 1993. Mabinogion (ed. de Victoria Cirlot). Madrid: Siruela, 1988. The Voyage of Bran, Son of Febal to the Land of the Living (ed. de Kuno Meyer). Londres: Nutt, 1895-1897, 2 vols. A Vida de Sancto Amaro (ed. Oto Klob). Romania, 30, 1901, pp. 504-518. Obras Citadas “Apple”. Internet COSTA, Ricardo da. A Árvore Imperial — um Espelho de Príncipes na Obra de Ramon Llull (1232-1316). Tese de Doutorado. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2000 COTTERELL, Arthur. Classical Mythology: The Ancient Myths and Legends of Greece and Rome. New York: Smithmark, 1997. CHEVALIER, Jean e GHEERBRANT, Alain. Dicionário de Símbolos. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1995. CIRLOT, Juan Eduardo. Dicionário de Símbolos. São Paulo: Moraes, 1984. DELUMEAU, Jean. Uma História do Paraíso: O Jardim das Delícias. Lisboa: Terramar, 1994. ELLIS, Peter B. Dictionary of Celtic Mythology. Oxford: Oxford Press, 1992. FRANCO, Jr., Hilário. A Eva Barbada. São Paulo: EDUSP, 1996. _______________. Cocanha: A História de um País Imaginário. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. GRIMAL, Pierre. Dicionário da Mitologia Grega e Romana. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000. GUREVITCH, Aron. As Categorias da Cultura Medieval. Lisboa: Caminho: 1990. KOCH, John (ed.). The Celtic Heroic Age. Literary Sources for Ancient Celtic Europe and Early Ireland and Wales. Massachusetts: Celtic Studies Publication, 1995. Mirabilia 01 Dec 2001/ISSN 1676-5818 119 LE ROUX, Françoise e GUYONVARC’H, Christian-J. A Civilização Celta. Lisboa: Europa-América, 1993. LE GOFF, Jacques. O Nascimento do Purgatório. Lisboa: Editorial Estampa, 1993. _____________ . São Luís. Biografia. Rio de Janeiro: Record, 1999. LOPERA, José Alvarez, ANDRADE, José Manuel e outros. História Geral da Arte: Pintura. Rio de Janeiro, Edições del Prado, 1995, v. II. LURKER, Manfred. Dicionário dos Deuses e Demônios. São Paulo: Martins Fontes, 1993. ______________. Dicionário de Simbologia. São Paulo: Martins Fontes, 1997. MANGUEL, Alberto. Lendo imagens - uma história de amor e ódio. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. MARKALE, Jean. L’Epopée Celtique d’ Irlande. Paris: Payot, 1979. SCHNEIDER, Norbert. A Arte do Retrato. Köln: Ed. Taschen, 1997. ZIERER, Adriana. O Modelo Arturiano em Portugal: A Imagem do Rei-Guerreiro na Construção Cronística de Sancho II e Afonso III. Dissertação de Mestrado. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 1999. _______________. "Modelos da Salvação Medieval: São Brandão e Santo Amaro". In: COSTA, Ricardo e PEREIRA, Valter Pires (orgs.). História. Revista do Departamento de História da UFES 9. Vitória: EDUFES, 2001, p. 41-51.
SIMBOLOGIA DA MAÇÃ
Enviado pelo Ir.: Milton C. Lopes
Um detalhe interessante sobre a famosa Academia de Crotona, na Sicília, fundada por Pitágoras, diz respeito aos métodos de reconhecimento entre os membros do “círculo interno”, aqueles que tinham acesso aos conhecimentos esotéricos e desfrutavam da intimidade do grande filósofo.
Como é sabido, os pitagóricos viam os números como a expressão da própria natureza, e cultivavam uma paixão pela geometria sagrada. Dentre as figuras que Pitágoras considerava perfeitas, o pentagrama (a estrela de cinco pontas, a mesma “sba” do antigo Egito, a “estrela-cão”) era sua preferida.
Para ele, nela se poderia ler TODAS as relações matemáticas que informam o Universo, inclusive a celebrada razão áurea.
Essa figura está presente na natureza em incontáveis manifestações, a mais comum sendo vista nas flores das árvores frutíferas.
Na literatura maçônica, na ocultista e mesmo na cristã, católica, muçulmana, a Estrela de Cinco Pontas está presente há milênios.
Na arquitetura, as catedrais góticas são uma prova inconteste de uma aplicação prática da ciência sagrada, sendo os arcos botantes, as rosáceas e os arcos ogivais uma materialização em pedra das relações matemáticas existentes no pentagrama.
Os iniciados de Crotona usavam o pentagrama como um talismã ou amuleto e como sinal secreto de reconhecimento. Aqui há que se fazer uma pequena digressão, para irmos à Biblia, ao Pentateuco.
Ali, no Gênesis, se lê que Deus vedou ao homem, a Adão e Eva, o acesso à Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, ou simplesmente Árvore do Conhecimento.
E que árvore era essa? Para muitos teólogos, era a Macieira, abundante na bacia do Mediterrãneo e em todo o Oriente Médio, cujo fruto é um dos que melhor se conservam após colhidos e que é, acredita-se, a primeira árvore cultivada pelo homem.. A maçã aparece nas mitologias grega e romana em lugar de destaque em várias passagens. Hércules colheu o Pomo de Pouro (nada mais que uma maçã dourada).
Não por acaso a lenda em torno da descoberta da Lei da Atração Universal (a gravidade) coloca Isaac Newton embaixo de uma macieira... Em 1717, ao mesmo tempo em que Newton se reunia na Royal Society (que este ano comemora o tricentenário) quatro lojas fundavam a Grande Loja de Londres (hoje GLUI); uma delas foi a “Apple Tree”.
Eu fiz, há tempos, quando ainda no Or:. De Brasília, uma pesquisa para reconstituir os “brasões” – na verdade, placas de sinalização daquelas quatro tavernas.
A partir dessa pesquisa, usando o desenho de uma moldura comum nas tavernas londrinas dos anos 1700, montei quatro emblemas, um deles o da “Apple Tree”, que ficou assim:
Pois bem: Nas palestras que faço sobre Simbolismo,
costumo motivar a audiência tomando uma maçã e uma faca e pedindo a
algum presente que corte a fruta ao meio, ficando com uma metade e dando
a outra para mim. Invariavelmente, eis o que recebo:
(Observem que o núcleo da fruta assim
partida se apresenta com uma clara identificação com a imagem de uma
vulva, o que nos permite entender melhor a associação com Eva e o lado
feminino da natureza.) Mas não é essa imagem que estou buscando. Nessa altura, eu tomo uma outra maçã e
explico aos assistentes que, se a pessoa que me ajudou fosse um iniciado
da Academia de Pitágoras e o mestre lhe pedisse que comprovasse essa
condição por meio de um sinal particular, mas sem gestos ou palavras,
ele simplesmente partiria a maçã AO LONGO DE SEU EQUADOR... Se fizesse isso, eis a figura que apareceria:
E, para os que não tiveram ainda a
oportunidade de ver uma macieira florida, eis o pentagrama já presente
na flor, o mesmo que vai se manifestar no fruto:
Notaram a semelhança com nossas representações da “Estrela Flamígera”?
Mas o segredinho que quero partilhar com
vocês é que essa estrutura está presente em praticamente todos os frutos
(como de resto em toda a natureza). Para exemplificar, vejam outra fruta tão
cara aos maçons: a romã (“pomegranate”). Todos estamos habituados a ver
a imagem da fruta aberta no sentido longitudinal, com a familiar imagem
vulvar:
Mas quantos já tiveram a curiosidade de
saber como se apresenta essa mesma estrutura se cortada em outro plano,
ao longo do “equador” da romã? Eis aqui:
Mais uma bela estrela, ... mas de 6 pontas...
Creio que agora você pode voltar à
cozinha e começar a cortar TODAS as frutas que encontrar segundo os dois
planos, longitudinal e transversal, e comparar as estruturas
resultantes. A natureza é sábia, e conhece geometria... Apenas tome cuidado com a cunhada, que pode não gostar ... JOEL G. De Oliveira, M.·.M.·.
A maçã é
um fruto que desde a antiguidade esteve simbolicamente ligado às nossas vidas.
A fruta possui um sentido ambíguo. Por um lado, como nos traz a história
bíblica, representou o sofrimento, a necessidade do trabalho, ou seja, a
expulsão dos homens do paraíso. Por outro, trouxe a possibilidade do livre
arbítrio. Os atos e o destino de cada um, agora estariam associados à própria
vontade, ao próprio trabalho e ao desenvolvimento individual!
Na
mitologia grega a maçã também esteve associada à figura da deusa do amor, da
beleza e da sedução, Afrodite. Ao oferecer a maçã dourada à deusa, Páris (o
príncipe de Tróia), em troca, obteve a mortal mais linda do mundo, Helena – que
era a esposa do rei grego Menelau. O rapto de Helena por Páris deu início à
guerra de Tróia. Aqui, a maçã traz o sentido do mal, da guerra, da disputa.
Por volta
do sec. XVII, Isaac Newton suscitou a idéia da lei da gravidade enquanto
repousava debaixo de uma macieira! A partir daí, gerou toda uma área especial
para os estudos sobre uma das mais importantes leis universais.
Atualmente,
Apple é o nome da maior multinacional norte americana que atua no ramo
de aparelhos eletrônicos e informática. O símbolo da empresa, uma mação já
mordida, faz referencia à Newton, uma vez que representa a “descoberta”.
Percebe-se
que a maçã está ligada simbolicamente com a duplicidade. Ora como fruto da vida
que está no paraíso, ora como do conhecimento que, contrariamente, confere a
imortalidade ou que provoca a queda. O formato esférico é símbolo do Mundo e em
seu interior, temos as sementes simbolizando a fertilidade, a espiritualidade.
Entretanto dentro da carne, da matéria – o que, remetendo
à historia bíblica, agora deve ser alcançado através da vida humana na terra.
Esse
aspecto da duplicidade está presente em nossas vidas o tempo todo: vida-morte,
masculino-feminino, bem-mal, guerra-paz, indivíduo – coletivo etc. Do ponto de
vista psicológico, a unificação dos opostos possibilita a consciência unitária
representando o processo que Jung chamou de “individuação”,
ou seja, tornar-se uma unidade indivisível, um todo – tornar-se único.
Sobre
suas propriedades, a maçã contém fibras que são um forte aliado contra os altos
níveis de colesterol, reduzindo assim os riscos de endurecimento das artérias,
ataques cardíacos e enfartes. Ajuda também na regularidade intestinal, atuando
nos problemas de prisão de ventre e de diarreia. O chá da maçã, além de
muito saboroso, é tônico, calmante e ativa o fígado (orgão responsável também
pela depuração e desintoxicação do sangue, além de excretar a bile – fluido que atua na digestão de
gorduras e absorção de substancias nutritivas).
Pode uma
boa pedida pros dias de inverno!
O
que a maçã representa no simbolismo ?
Escrito por lauren agra| Traduzido por aline abreu
Na mitologia, a maçã dourada impulsionou a Guerra de Tróia
apple
image by vanillla from Fotolia.com
As maçãs são encontradas em todo o
mundo e seu simbolismo varia a cada cultura.
Seus significados simbólicos incluem discórdia, pecado, conhecimento, beleza
feminina, imortalidade, renascimento e paz.
Pecado e
conhecimento
De acordo com a tradição cristã, Adão e Eva foram expulsos
do paraíso por comerem uma maçã da árvore proibida
do conhecimento. Este ato levou-os à perda da inocência e introduziu o
pecado no mundo. Por esse motivo, no Cristianismo, a maçã simboliza o pecado e
o conhecimento.
Discórdia
Na Ilíada, a Guerra de Troia foi atiçada pela deusa Éris,
que jogou uma maçã dedicada "à mais bonita" deusa dentro de uma sala
cheia delas. A consequente discussão entre as deusas sobre para quem a maçã
tinha sido dada foi o catalisador da guerra. Desde então, as maçãs têm sido
associadas com a discórdia.
Renascimento
e imortalidade
Na mitologia
celta e nórdica, a maçã é retratada como símbolo do
renascimento. A macieira nasce no túmulo da amante celta Ailinn,
simbolizando o renascimento após a morte. Na mitologia nórdica, as maçãs
douradas são o segredo da imortalidade da deusa Idun.
Paz
e beleza
Na cultura chinesa, as maçãs são um símbolo de
paz. Na escrita da
língua, "ping", que significa maçã, é alternada com a palavra que
significa paz. As flores da maçã são o símbolo da beleza feminina.
A MAÇÃ E O SEU SIMBOLISMO
Lucas Cranach -Adão e Eva- 1538
(ora o bem ora o mal):
compete a cada um a escolha.
Caros Amigos, não sei se já se deram conta da presença deste maravilhoso
fruto (maçã) como ícone, desde o inicio da história da humanidade até
aos dias de hoje. Reparem nos vários aspectos da sua representação.
A maçã é simbolicamente utilizada em diversos sentidos aparentemente
distintos, mas que mais ou menos se aproximam. A maçã, esse fruto
suculento e saboroso mas ao mesmo tempo ácido e frágil, esteve sempre
presente em momentos fundamentais da procura e da ruptura dos grandes
sonhos da humanidade. Representa o mal na sua primeira essência. Hoje o
que temos no mundo é o mal materializado na arrogância e prepotência do
poder instituído. Mas também representa o bem como abaixo descrevo.
Trata-se, portanto, em todas as circunstâncias, de um meio de
conhecimento, mas que ora é o fruto da Árvore da Vida, ora o da Árvore
do Conhecimento do bem e do mal: conhecimento unificador, que confere a
imortalidade, ou conhecimento desagregador, que provoca a queda.
A maçã, por sua forma esférica, significaria globalmente os desejos
terrestres ou a complacência em relação a esses desejos. A proibição de
Deus alertava o homem contra a predominância desses desejos, que o
levavam rumo a uma vida materialista, oposta à vida espiritual, que é
verdadeiro sentido de uma evolução progressiva. A advertência divina dá a
conhecer ao homem as duas direcções e o faz optar entre a via do desejo
terrestre e a da espiritualidade. A maçã seria o símbolo desse
conhecimento e a colocação de uma necessidade: a da escolha.
Sublinho a representação do mal, ponto 1, em que o homem pela mão da sua
companheira, abandona seus princípios e acaba por se tornar humano com
todos os defeitos que lhe são inerentes. O mal passou a dominar a mente
humana. Hoje somos alvos desse mal, utilizado pelas mentes perversas dos
políticos obscuros e manipuladores.
Por outro lado, repare-se no avanço da ciência com a suposta descoberta
da gravidade pelo cientista Newton. Tudo isto devido a uma maçã. Não
deixa realmente de ser curioso, por isso a maçã é simbolicamente o
caminho dual que tanto leva ao mal como ao bem. Compete a cada um de nós
escolher esse caminho.
8. Dürer. Adão e Eva ou a Queda do homem. Gravura, 1504.
A titulo de curiosidade, ficam alguns casos curiosos onde se faz sentir a presença da maçã.
1º:Maçã na religião. (Adão e Eva no paraíso e a árvore do conhecimento do bem e do mal, macieira).
2º:Maçã na mitologia. ( 11º trabalho de Hércules, colher 3 maçãs de ouro do Jardim das Hespérides).
3º:Maçã na idade média. ( O filho de Guilherme Tell foi atado a uma árvore, e a maçã foi colocada na sua cabeça).
4º:Maçã na ciência. (a maçã bateu na cabeça de Newton, quando este se encontrava num jardim, sentado por baixo de uma macieira, gravidade. )
5º: Maçã na literatura. ( Branca de Neve e os 7 Anões - A rainha, decidiu usar uma maçã enfeitiçada, a maçã engasgou a Branca de Neve).
6º:Maçã na medicina. ("An apple a day keeps the doctor away". / Uma maçã por dia afasta-te do médico).
7º:Maçã na informática. (Apple, o símbolo da empresa, uma maçã já mordida). Rui Coelho
“Seja como for,
a grandiosa revolução
humana de uma única pessoa
irá um dia impulsionar a mudança total do
destino de um país e, além disso, será capaz de transformar o destino de
toda a humanidade.”
– Macieiras da Chácara Margarida – São Joaquim – SC
A maçã é uma das sete árvores sagradas para os druidas. Ela
representa a imortalidade, o aperfeiçoamento da pureza, e suas flores
eram símbolo de fertilidade e de amor. Em Celta: Maçã = Abellio (Abel=Puro), daí derivou a palavra inglesa “Apple”. Existia a deusa Maçã, que simbolizava o outono, ela representava a
deusa da vida e da morte. Ela vinha buscar os guerreiros na hora da
morte, como as Valquírias vinham buscar os guerreiros Germânicos. A deusa Maçã vinha buscar o herói que morria com um ramo de maçã nas
mãos. No filme Excalibur, na morte do rei Arthur as deusas vinham de
barco para levá-lo à ilha de Avalon. Por isso diziam que a macieira é
uma árvore de outro mundo, com origem em Avalon. Toda a história do rei Arthur mostra o simbolismo da maçã. Quando ele cometeu um erro, recebeu uma ferida e sentia-se sujo. Todo seu reino perdeu a ordem e a luz. Foi preciso resgatar o Graal e
ele beber a água da vida – que vem do graal _ para repastar o estado de
graça e de luz. Neste filme vemos que, após recuperar seu estado de pureza, ele e
seus cavaleiros passam por campos floridos de maçãs e estas flores caem
sobre suas cabeças, como flocos de neve vindos do céu. Representa o
nosso respage do Reino interno. Ela tem o fruto do conhecimento, trazendo a revelação interior e a
sabedoria, tem um ciclo anual com o sol, atuando nas mudanças de ciclo
da cultura humana. É ela que faz a renovação dos ciclos. Geralmente, as maçãs douradas eram oferecidas aos heróis bretões como um alimento para purificação e rejuvenescimento. A associação de Merlin – mago e profeta da época do Rei Arthur – e a
maçã é a seguinte: ele se escondia de seus inimigos ou resgatava suas
forças embaixo de uma arvore de maçã. Muitas vezes, a invocava quando fazia uma profecia, a deusa Maçã foi um dos amores de Merlin. A maçã era celebrada em um dos quatro “festivais di fogo” celta,
chamado Lugnasadh, a bebida central era uma Sidra quente comum entre os
trabalhadores. No solstício de inverno, na prática do Wassailing (que é perto do
natal),os fazendeiros saíam para o pomar, oferecendo maçãs assadas e
sidras embaixo de um pé de maçã, para pedir sorte, fortuna e felicidade. Geralmente, eles guardavam as maçãs amadurecidas no dia de São João,
que é no verão, quando eram chamadas de Aplle-jack e tinham força para
durar até dois anos sem apodrecer. SIMBOLISMO PARA OS ASSÍRIOS E PERSAS
Os antigos assírios já conheciam as propriedades curativas da maçã no tratamento de doenças venéreas.
Os persas, orientados pelo espírito de Zaratustra, transformaram as maçãs silvestres em cultivadas.
SIMBOLISMO SEGUNDO OS EGÍPCIOS
A maçã era conhecida pelo nome de “Tappuah” e fazia parte da dieta egípcia, mas era importada.
Há um relato que Ramsés III ofereceu 843
cestos de maçãs para o culto do deus Apis (touro), que é o deus da
fertilidade. Esse é um dos aspectos da maçã.
SIMBOLISMO SEGUNDO OS ESCANDINAVOS
A maçã é um símbolo regenerador e
rejuvenescedor. A deusa Idunn tem o dom da juventude, ela tem um cesto
de maçã de ouro, que oferece aos deuses para que eles permaneçam sempre
jovens. Como existem os ciclos da vida, ela é raptada e vêm os ciclos
de envelhecimento e os das estações. Como acontece com a “sempre jovem”
Perséfone (do mito grego dos ciclos).
Em germânico maçã = Apful
Ela é o fruto do outro mundo, que Idunn
oferecia aos guerreiros mortos em batalhas para permanecerem sempre
fortes e jovens no outro plano.
Ela ajudará o “retorno ao paraíso”,
resgatando a pureza,. A ordem, a luz e a vida. Existiam as “maçãs de
Sodoma”, frutos com aparência de maçãs encontradas no mar morto; elas
contêm cinzas em seu interior (isso porque um inseto coloca uma larva no
interior desta fruta e dá o aspecto de cinza).
Dizem que esse fruto é o símbolo do pecado de Sodoma, que foi destruído por Deus pelo fogo.
A maçã por seu aspecto arredondado,
representa o mundo e os nossos desejos terrestres, com forma esférica
porque fecham o círculo do mundo material.
Podemos ver esses símbolos em vários
afrescos bizantinos, como a presença de Deus, Jesus, Nossa Senhora ou
algum arcanjo segurando o mundo ou a maçã nas mãos.
SIMBOLISMO PARA OS GREGOS
Na Grécia antiga, o casamento de Pelus e
Thétis foi interrompido pelo aparecimento de Éris, a deusa da discórdia
ou do caos, que atirou uma maçã dourada na mesa dos deuses,
gritando:”para a mais bonita das deusas”.
Ocorreu então a disputa entre Vênus,
Atená, e Juno, tendo Paris como juiz. Este ficando a favor de Vênus, que
lhe deu de presente Helena, de onde veio toda a guerra de Tróia (O
trabalho de resgate da Anima Mundi).
Hércules, em um de seus trabalhos, buscava as maçãs de ouro do jardim das Hespérides, que eram os frutos da imortalidade.
Nessa prova, encontrou com o gigante Atlas e, em um ato de altruísmo, segurou o mundo que o gigante carregava em suas costas.
Então, o mundo se transformou na maçã e
assim, ele adquiriu o conhecimento interno. Ele entregou as maçãs para
atná, em cujas mãos tornaram-se um símbolo de sabedoria.
Alexandre (O Grande), foi em busca da
“Água da vida” na Índia e, pelo caminho, encontrou um lugar onde tinha
maçãs que prolongavam a vida dos sacerdotes em 400 anos.
Ele forjou uma maçã dourada, com o ouro de todas as nações conquistadas, como símbolo de soberania.
SIMBOLISMO NOS CONTOS DE FADA
A maçã está sempre ligada ao veneno ou à
cura (limpeza interior). Em vários contos, a bruxa colocava o veneno na
maçã e oferecia à pessoa, o veneno deixava o corpo adormecido pelo
feitiço.
O corpo ficava envolvido por uma capa,
afetando os níveis de percepção corporal. Daí vem à palavra fruto, e
“Malum ou malo”, e seu nome Malus Pumila.
SIMBOLISMO MEDIEVAL
Sempre usavam a maçã em festas de
casamento, no período da gravidez para a mulher ter filhos saudáveis e
nas festas de natal, com nozes.
É um símbolo de pureza, podemos ver
quadros de uma jovem virgem sentada embaixo de uma árvore de maçãs, com
um pequeno unicórnio em seu colo.
SIMBOLISMO DOS PLANETAS QUE TRABALHA
Vênus representa o nosso amor pessoal e o trabalho sobre a nossa percepção e sensibilidade.
O fruto da maçã, quando cortado em duas
metades, revela uma estrela de cinco pontas, Vênus é a estrela da manhã.
A sexta-feira é o dia de Vênus e é dedicado à arvore da maçã.
A maçã pode ser símbolo do amor sensual
ou espiritual. Trabalhando, Vênus vai abrir o nosso amor para o nosso
corpo, e agir na autoestima, na percepção real do corpo e dos
sentimentos, de um modo mais pleno e global.
No sistema de Florais de Bach, temos o floral (CRAB APPLE).
Texto extraído do livro Participando da Vida com os Florais de Bach – Carmen Monari
7. A Tentação de Eva. Tapeçaria flamenga.
Galeria dell´ Accademia. Firenze, Meados do século XVI.
Albrecht Dürer (1471-1528), Adão e Eva (detalhe), Museu do Prado, Madrid
♣
John Milton, Paraíso Perdido, Canto VIII
John Milton, Paraíso Perdido, Canto VIII
Foi grande o golpe e em um instante a cura. Deus coas mãos a costela vai moldando, Té que uma criatura dela forma Mui semelhante a mim, mas de outro sexo.
Pareceu-me tão bela e tão amável, Que tudo quanto dantes no Universo Julgara belo agora o crê mediano – Ou que do Mundo as formosuras todas Em corpo tão gentil se resumiam, Principalmente nos benignos olhos Que desde então mimosos infundiram Dentro em meu coração tanta doçura, Qual nunca exp’rimentado havia dantes:
Do porte seu também logo exalaram O espírito de amor, graças, deleites Que em toda a Natureza se esparziam.
Nisto ela foge e me deixou em trevas:
De repente acordei na ânsia de acha-la Ou de carpir sem causa a perda sua, Abjurando prazer que não fosse ela.
No entanto, quando menos a esperava, Não longe a vi, tal como a vira em sonhos Adornada de quanto o Céu e a Terra Para fazê-la amável possuíam.
Ei-la que vem: condu-la o Autor celeste, Guiando-a com sua voz, porém não visto:
Dos ritos conjugais vem informada, Da santidade e candidez das núpcias: Nos olhos traz o Céu, no andar as graças, O amor e o brio nas maneiras todas.
Em tantas perfeições eu enlevado, A erguer assim a voz fui compelido:
“Ela volta!… Dissipa-se o meu susto! “Cumpres quanto disseste, é Deus benigno, “Generoso doador de coisas belas;
“Mas esta sobrepuja as outras todas “Que não se podem comparar com ela.
“Nela me estou a ver; dos meus por certo “Seus ossos são, da minha carne a sua:
“Do homem tirada foi, mulher se chama:
“Por ela pai e mãe ele abandona, “E esposo se une à esposa idolatrada – “Em deliciosa união ambos formando “Um coração, uma alma, uma só vida.” Prestava ela atenção às minhas vozes:
Acabando de ser por Deus formada, Inda toda pudor, toda inocência, Já conhecia com clareza exata O grande preço das virtudes suas;
Que deve ser com mimo requestada E não ganhada sem que muito a roguem; Que não deve óbvia ser, nem ser esquiva, Mas recatada estar, assim causando Mais vivo amor, mais ávido apetite:
Ou, por melhor dizer, a Natureza Nos pensamentos tanto lhe influía, Lida que isentos da mais leve mancha, Que ela me olhou modesta e retirou-se. Eu fui seguindo-a: percebeu em breve Com que respeito e amor eu me portava, E não tardou com majestoso obséquio Em ceder à razão que me assistia. Ao nupcial aposento a vou guiando, Corada, semelhante à manhã bela:
Nessa hora inteiro o Céu e os astros todos Sobre nós mandam mais seleto influxo, E nos decoram com fulgor mais vivo: Mais ataviados de verdura e flores Dão-nos os parabéns montes e vales; Suave e alegre concerto as aves tecem;
Frescas as virações, meigas as brisas, Nossa união pelas árvores murmuram, E coas asas brincando nos atiram De arbustos próprios rosas e fragrâncias, Até que o rouxinol entoou solene O canto do himeneu, e assim convida Da tarde a estrela a que de pronto acenda, No arbóreo cimo da montanha sua, Das sacras núpcias o brilhante facho. Assim te hei relatado a minha história, Levando-a té ao ápice da dita Que neste Paraíso estou gozando:
E cumpre confessar que – achando eu gosto Em tudo o mais de que se adorna o Mundo, Quais os passeios, plantas, frutos, flores, A música das aves, tudo em suma Que delicadamente me comove O tato, o gosto, o ouvido, a vista, o cheiro, Por nada sinto na alma abalo vivo, Desejo ígneo nenhum, goze ou não goze;
Mas outro é meu sentir por tal beleza. Vejo-a abalado de transporte sumo, Cheio de igual transporte a toco e apalpo; Ardo por ela em comoção estranha, Minha única paixão conheço nela:
Quaisquer outros prazeres não me agitam, A todos eles superior me julgo; Porém somente me confesso fraco Ante os encantos, ante o mover d’olhos, Com que a beleza triunfar consegue.
Ou pobre a Natureza em mim se mostra, Fazendo-me imperfeito a assim não apto De tal objeto a repelir encantos: Ou mais talvez tirou do que bastava Do meu lado, e essa falta me enfraquece:
Ou, quando menos, deu em demasia Ornatos à mulher que, não obstante Ser no seu interior menos sublime Mostra por fora as perfeições mais belas.
Não que eu deixe de ver que abaixo fica No desígnio essencial à Natureza E da alma nas internas faculdades, Que são na espécie humana as mais distintas; E que também por fora iguala menos De quem nos fez a majestosa imagem, E designa com menos expressão O caráter de império impresso no homem, Com que ele as outras criaturas rege, Contudo, quando dela me aproximo, Tão amável a julgo, tão perfeita, Tão ciente de si mesma e extreme em tudo, Que quanto ela pretende, ou faz, ou fala, O mais discreto me parece sempre, O melhor, o mais certo, o mais virtuoso:
À vista dela a ciência a mais profunda Titubeia, desmente a usada força; A mais grave e ilustrada sisudez Desconcerta-se e mostra-se loucura. Como se antes de mim fosse ela feita E não depois, qual foi por causa minha, De autoridade e de razão se adorna:
E, para tudo ter, seu porte amável, Candura e graças todo, em si ostenta Nobreza de alma, pensamentos grandes, Dela em torno espalhando reverência Que faz o ofício ali de guarda de anjos.
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